Review | Stranger Things 5 – Volume 2

Review | Stranger Things 5 – Volume 2

A segunda parte da quinta e última temporada de Stranger Things já está disponível na Netflix e chega com a missão de preparar o terreno para o grande encerramento da série.

Mas será que ela consegue entregar respostas e desenvolvimento, mas ainda deixando brechas para um desfecho que valha a pena assistir? Vamos analisar a seguir. Se ainda não assistiu, a seguir teremos potenciais spoilers de Stranger Things 5 – Volume 2!

Leia aqui: o review do volume 1 de Stranger Things 5

3 episódios, muitas respostas. Mas foi o suficiente?

O volume 2 conta com apenas três episódios, todos com mais de 1 hora de duração. Apesar disso, ainda ficou para mim a sensação de que há muitos personagens e muitas histórias para contar, o que infelizmente faz com que alguns lados das tramas sejam deixados de lado. Apesar disso, há muito desenvolvimento emocional dos personagens e o aprofundamento da mitologia do Mundo Invertido.

Para quem acompanhou o volume 1, a sensação é de continuidade direta. A história começa justamente de onde a parte anterior terminou, resolve algumas questões importantes, mas também deixa novas dúvidas que precisam ser respondidas no episódio final.

Meu questionamento é se as pouco mais de duas horas já confirmadas para o episódio 8, o último da série, serão suficientes para dar um final satisfatório a todos os personagens e arcos.

Foco maior nos personagens e nos conflitos pessoais

Um dos pontos mais fortes desse volume 2 é o desenvolvimento de tramas que foram, principalmente trabalhadas na primeira parte. O grande destaque vai para Holly e Max em sua jornada para fugir da prisão mental de Vecna. A dupla funciona muito bem, seus diálogos e descobertas realmente acrescentam para a história e a interação das atrizes Sadie Sink e Nell Fisher é excelente.

Também não dá para deixar de falar de Will Byers (Noah Schnapp), que entrega um belo momento com um monólogo carregado de sentimento. As revelações que ele traz para família e amigos são o passo que o personagem precisava dar para mudar o seu status. Will não é mais aquele garoto assustado que foi levado pelo Demogorgon na primeira temporada. Ele encara seus medos, entrega cenas empolgantes e emociona. Junto dele, também gosto das poucas, mas excelentes inserções da personagem Robin (Maya Hawke).

Depois de muitos conflitos, Dustin (Gaten Matarazzo) e Steve (Joe Kerry) compartilham cenas emocionantes e com muito desenvolvimento para ambos. Eles precisavam ter um momento para abrir o coração e isso acontece aqui. O mesmo podemos falar de Jonathan (Charlie Heaton) e Nancy (Natalia Dyer), que tem um momento impactante e de amadurecimento que muda o relacionamento deles para sempre.

Por outro lado, alguns personagens acabam ficando mais apagados. Eleven, Hopper e Joyce têm menos destaque aqui, o que chama atenção, considerando a importância deles para a série como um todo. O retorno de Kali (Linnea Berthelsen) infelizmente só serviu para reforçar o quão ruim e deslocada do restante da história essa personagem é.

Trama dos militares segue sendo um problema

Mesmo perto do fim, a série insiste na trama envolvendo os militares, que continua soando desnecessária. Doutora Kay e a revelação da continuidade dos experimentos tentando recriar os Filhos/Números é uma reviravolta interessante, mas jogada em meio a uma história que já tem muito o que resolver. Essa linha narrativa paralela mais atrapalha do que ajuda, diluindo a tensão e tomando tempo que poderia ser melhor aproveitado com os personagens centrais.

A impressão é que o foco poderia estar totalmente voltado para Vecna (Jamie Campbell Bower), seu plano e sua ligação com as crianças.

Revelações importantes sobre o Mundo Invertido

Apesar das críticas, acho errado dizer que “nada acontece” nesse volume 2, como muitos comentarios que li nas redes sociais. A trama avança bastante, apresenta resoluções, introduz novos conceitos e derruba várias teorias criadas pelos fãs ao longo dos anos. A famosa frase dita por Dustin no trailer, de que tudo o que sabíamos sobre o Mundo Invertido estava errado, ganha peso aqui, com revelações que realmente mudam a forma como entendemos esse universo.

Descobrir que o Mundo Invertido é uma ponte entre o mundo real e o Abismo/Dimensão X realmente muda tudo o que sabíamos e teorizávamos. São boas respostas, mas que também aumentam a responsabilidade do episódio final, que precisará amarrar tudo de forma clara e satisfatória.

Menos ação, mais emoção

Diferente do volume 1, esta segunda parte é bem menos focada em grandes cenas de ação. Há momentos, como a fuga de Holly e Max, e Will tomando controle do corpo de Vecna, porém o destaque fica para os confrontos emocionais e os momentos de despedida que começam a se desenhar.

A temporada segue divertida, mas com um tom mais contido e reflexivo, preparando o público para o fim.

Ainda assim, fica a sensação de que esse volume 2 é um pouco inferior ao primeiro. Ele cumpre seu papel narrativo, mantém um bom nível e entrega momentos marcantes, mas deixa uma preocupação no ar: será que o episódio final vai conseguir fechar todas as histórias de forma satisfatória?

Stranger Things segue envolvente, aqui ainda mais emocional, mas agora carrega o peso de um encerramento que precisa fazer jus a tudo o que a série construiu ao longo dos anos. Aguardemos dia 31 de dezembro para saber se o ano vai terminar com a produção trazendo um bom desfecho ou se o final será amargo.

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Sobre o Autor

Heider Mota
Heider Mota
Baiano, 29 anos, jornalista. Gosto de dar meus pitacos sobre filmes e séries por aqui.

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