Crítica | Quarteto Fantástico: Primeiros Passos

Crítica | Quarteto Fantástico: Primeiros Passos

É curioso pensar que a QUARTA tentativa de fazer o QUARTETO FANTÁSTICO nos cinemas é a que finalmente deu certo. Sim, já começo esse texto dando essa notícia positiva. Ainda que, de fato, não fosse tão difícil de isso acontecer.

Mas vou explorar mais sobre isso a seguir. Vem comigo entender o que funciona, o que poderia ser melhor e a minha opinião sobre Quarteto Fantástico: Primeiros Passos, filme de 2025 dirigido por Matt Shakman que inicia a Fase 6 do Universo Cinematográfico Marvel.

Confira curiosidades sobre o Quarteto Fantástico

Qual é a trama do filme?

Em Primeiros Passos, acompanhamos o Quarteto Fantástico em seu aniversário de quatro anos de atuação na Terra-828 (número em referência ao nascimento do criador Jack Kirby). Quando Sue Storm/Mulher Invisível (Vanessa Kirby) engravida, toda a dinâmica da equipe muda e fica ainda mais complicada quando a Surfista Prateada (Julia Garner) anuncia que Galactus está chegando para devorar o planeta. Reed Richards/Senhor Fantástico (Pedro Pascal) busca resolver o problema, mas quando uma situação impossível é colocada para a equipe, eles precisarão decidir entre um sacrifício pessoal ou falhar com a humanidade que prometeram proteger.

A história do filme é mais simples do que se poderia imaginar e acaba sendo um dos poucos pontos de “baixa”. Não que seja ruim, é apenas previsível e sem muitas surpresas. Tudo vai de um ponto A para um ponto B sem quase nenhuma reviravolta ou grandes mudanças nesse caminho. Tem similaridades com as versões de 2005 e 2007, mas aqui tudo é bem melhor executado.

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Ambientação e dinâmica familiar: os principais acertos

O visual retrofuturista da Terra-828 é um acerto gigantesco deste filme. O diretor Matt Shakman tem experiência em trabalhar com esse tipo de cenário, como já mostrou em WandaVision. A mescla de cultura dos anos 60 com uma pegada do desenho Os Jetsons funciona bem demais. Desde tecnologias superavançadas a uso de, por exemplo, um disco de vinil como forma de gravar uma mensagem vinda do espaço.

Os prédios e carros voadores que lembram óperas espaciais contrastam com veículos parecidos com Fuscas nas ruas, além dos penteados, vestidos, programas de TV e brinquedos que remontam à década de 1960. A relação da população com o Quarteto Fantástico, enxergando eles como seus salvadores e ao mesmo tempo como ídolos, é bem interessante de se ver, até fazendo ser mais sentida uma certa virada que acontece no segundo ato do filme.

Mas, para mim, o grande destaque do filme é a dinâmica familiar finalmente retratada no cinema do jeito que deveria ser. Jack Kirby e Stan Lee estariam orgulhosos em ver seus personagens agindo como uma família, seja em uma simples cena de jantar, seja na hora das discussões para avaliar o que iriam fazer ou até mesmo nas cenas de ação.

Vanessa Kirby como Sue Storm está maravilhosa, poderosa e tem um papel de imponência. Ela é a voz ativa da equipe, ficando responsável pelo lado diplomático do Quarteto. Pedro Pascal é um Reed Richards mais introspectivo, mas que ainda é o “cabeça” do time, responsável pelos planos, pelos uniformes, pelas tecnologias criadas. Ele enxerga sua inteligência como um dom e como uma maldição ao mesmo tempo. Joseph Quinn é um Tocha Humana sagaz, que busca provar seu valor e que é muito importante para as resoluções do filme. E Ebon Moss-Bachrach traz O Coisa mais “leve” e gentil dos cinemas, que mesmo tendo questões com a aparência, não carrega o pesar que as versões anteriores traziam.

Julia Garner como a Surfista Prateada tem um visual interessante e funciona nas cenas de ação. Ela é irritante, poderosa, incisiva e faz de tudo para cumprir a sua missão. Já Ralph Ineson tem um trabalho de voz espetacular como Galactus.

Gosto também da maioria dos efeitos visuais utilizados no filme, principalmente os efeitos práticos. O CGI está bem na maior parte do tempo, só com breves ressalvas em cenas em que dois personagens não parecem estar no mesmo ambiente, por exemplo.

Ação reduzida e motivações: o que poderia ser melhor

Como já falei anteriormente, a história do filme é bem simples e não inova. Isso acaba prejudicando a ação, já que Galactus a maior parte do tempo não participa. Ele é sim imponente e traz uma sensação de ameaça gigantesca, mas acho que poderia ser mais, já que não explora a fundo suas motivações. A gente sabe o que ele quer, mas isso poderia ser melhor aprofundado. O filme lembra muito longas de desastre e invasão à Terra, como Armaggedon (1998) e Independence Day (1996). Seria interessante ter mais tempo de tela para vermos as repercussões em tela da iminente chegada do vilão, que acaba ficando marcada por cenas apressadas e resoluções que são fáceis de compreender, mas menos impactantes.

O filme basicamente tem dois momentos de ação. Uma cena no espaço e uma cena no ato final do Quarteto lutando contra a ameaça principal. Gostaria de ter visto mais dos personagens lutando juntos e usando seus poderes em equipe. Isso acontece, mas em uma escala menor do que poderia. Cito o próprio filme de 2005, que tem um duelo final bem legal e até mesmo o excelente Os Incríveis, da Pixar, que conseguem trabalhar melhor essa parte dos embates.

Vale a pena assistir a Quarteto Fantástico: Primeiros Passos?

A resposta é óbvia desde o início dessa crítica: vale muito a pena conferir, pois finalmente temos em tela um Quarteto Fantástico que faz jus ao que a primeira família da Marvel entrega nos quadrinhos. A dinâmica familiar é o ponto alto e a ambientação nesse universo retrofuturista é um acerto e tanto. O filme peca um pouco na ação e nas motivações dos antagonistas. Mas há sensação de perigo e você acredita que aqueles heróis estão fazendo de tudo para resolver uma situação praticamente impossível.

Ainda é deixada bem evidente em tela uma lição sobre família e unidade, valores muito necessárias em tempos divisivos em todas as esferas os quais temos vivenciado na nossa realidade. Se tem algo que o novo Quarteto Fantástico pode contribuir é que “juntos, em família” somos mais fortes.

Quarteto Fantástico: Primeiros Passos não é perfeito na sua realização, mas dá um caminho para que o futuro do Universo Cinematográfico ganhe sobrevida. Que sirva de inspiração para o que vem por aí, afinal de contas, o destino sempre chega e precisamos estar preparados para, em família, passar pelas adversidades.

Quarteto Fantástico: Primeiros Passos, filme que inicia a Fase 6 do Universo Cinematográfico Marvel
Quarteto fantástico: primeiros passos
Quarteto Fantástico: Primeiros Passos não é perfeito na sua realização, mas dá um caminho para que o futuro do Universo Cinematográfico ganhe sobrevida
3.5

Direção: Matt Shakman
Ano: 2025
Elenco: Vanessa Kirby, Pedro Pascal, Ebon Moss-Bachrach, Joseph Quinn, Julia Garner, Ralph Ineson e mais.
Duração: 1h55min

❓ Vale a pena assistir Quarteto Fantástico: Primeiros Passos?

Sim! Quarteto Fantástico: Primeiros Passos entrega a melhor versão da equipe nos cinemas até hoje. O filme se destaca pela dinâmica familiar bem construída, pela ambientação retrô e por respeitar a essência dos personagens nos quadrinhos. Apesar de falhas pontuais na ação e nas motivações do vilão, vale muito a pena conferir essa nova fase da Marvel Studios.

❓ Qual é a história do filme Quarteto Fantástico 2025?

Na trama de Quarteto Fantástico: Primeiros Passos, acompanhamos os heróis vivendo há quatro anos na Terra-828. Quando Sue Storm engravida e a Surfista Prateada aparece anunciando a chegada de Galactus, a equipe precisa lidar com desafios pessoais e salvar o planeta de uma ameaça cósmica. A narrativa foca em dilemas familiares e sacrifícios.

❓ O filme faz parte do Universo Cinematográfico Marvel (MCU)?

Sim. O longa Quarteto Fantástico: Primeiros Passos marca o início oficial da Fase 6 do Universo Cinematográfico Marvel. Ele não está direta conectado com os eventos anteriores do MCU, mas abre portas para futuros encontros com outros heróis, além de trazer uma versão do Quarteto em um universo alternativo, a Terra-828.

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Sobre o Autor

Heider Mota
Heider Mota
Baiano, 29 anos, jornalista. Gosto de dar meus pitacos sobre filmes e séries por aqui.

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