Primeiras impressões | Peacemaker (2ª temporada)

Após uma surpreendente boa primeira temporada, John Cena retorna ao papel de Chris Smith/Peacemaker para um segundo ano da série. Agora, em um cenário diferente: não mais como parte do Universo Extendido da DC (DCEU), mas sim o novo DCU (Universo DC) comandado por James Gunn, criador do seriado.
Será que as mudanças fizeram sentido? E o que essa segunda temporada traz de novo para o personagem? Vamos discutir isso nessas primeiras impressões sobre Peacemaker (Pacificador) 2ª temporada COM MUITOS SPOILERS!
Leia também: 5 curiosidades sobre o Peacemaker
Sem tempo, irmão!
Se você tem o costume de pular a recaptulação ao iniciar uma nova temporada de série, recomendo fortemente que NÃO FAÇA ISSO com essa segunda temporada de Peacemaker. James Gunn não perde tempo buscando explicações mirabolantes paa justificar a “mudança de universo”, afinal o primeiro ano ainda se passava no antigo Universo DC (Snyderverso) e essa segunda temporada já é no novo DCU (JamesGunnverso).
Logo no recap, o diretor altera cenas da primeira temporada para encaixar a série nesse novo universo. Isso mesmo. Acontecem retcons, ou seja, mudanças na continuidade, para simplesmente seguir em frente a partir disso. O grande exemplo é a cena em que a Liga da Justiça aparece no final do primeiro ano da série. A cena é modificada para que seja a Gangue da Justiça aparecendo, com direito a falas da Mulher-Gavião (Isabela Merced) e Lanterna Verde Guy Gardner (Nathan Fillion).
É uma solução simples e direta? Com certeza! Preguiçosa? Talvez. Mas mostra que, para James Gunn, ficar repercutindo isso seria só perda de tempo. Uma mudança rápida e que já dá o tom do que será o novo DCU. Se algo precisar mudar, vai mudar. Sem parar para ficar explicando e dando muito contexto. Decisão acertada, na minha opinião.
Aqui ficou devendo, e muito!
Uma expectativa muito grande era sobre a abertura da segunda temporada, já que a da primeira foi icônica e marcante, não somente pela música, mas pela dança com todo o elenco presente. Aqui a fórmula se repete, inclusive alguns passos da coreografia são os mesmos. E esse é um dos erros, pois só amplia a comparação.
A abertura da segunda temporada usa a música “Julian, it’s a hungry world”, do grupo Foxy Shazam, que tem uma melodia menos dançante que a canção da primeira temporada. Mais uma vez o elenco manda bem na dança, mas não pegou tanto quanto a da primeira temporada. Era uma tarefa difícil, eu sei, mas ficou devendo ao meu ver. Porém, também entendo o tom mais melancólico e dramático, algo que deve ter visto em toda a temporada.
Amadurecimento, melancolia e pertencimento: os temas da 2ª temporada de Peacemaker
Uma das principais diferenças em relação ao primeiro ano é o tom da série. Se no primeiro ano o personagem interpretado por John Cena ainda carregava muito do arquétipo babacão que veio do filme O Esquadrão Suicida (2021), aqui o Peacemaker ainda tem isso, mas está mais contido. Após salvar o mundo da ameaça das Borboletas, Chris Smith acreditava que seria visto com mais seriedade e como um herói pelas pessoas, o que não aconteceu.
Para todos ele continua sendo um criminoso, assassino, ridículo e sem importância alguma. Ele tenta mudar seu estilo de vida, tenta correr atrás da mulher que ama e até mesmo tenta entrar para um grupo de super-heróis, mas nada dá certo. Então, não surpreende que Chris entre em crise e apele para bebida e outras coisas ilícitas, o que também provoca uma longa e desnecessariamente explícita cena (bem ao estilo James Gunn). Fato é que o nosso protagonista não está bem!
Isso nos leva às dimensões paralelas, algo já trabalhado na primeira temporada e que teve alguns vislumbres em Superman. Na série, Chris descobre uma outra realidade muito parecida com a dele, porém com dois diferenciais: Keith, seu irmão, está vivo e atua como herói. Além disso, a relação dele com o pai é ótima e a família convive bem, agindo os três como super-heróis.
Claro que é tentador para o Peacemaker passar a viver naquela realidade, até que ele é confrontado pela outra versão de si mesmo, aquela que vive naquela realidade. Então, um embate acontece e Chris mata sua versão paralela, mesmo que sem querer. O episódio termina assim, mas com a prévia do restante da temporada sabemos que ele passará a viver no lugar da sua outra versão.
Teremos assim uma história sobre amadurecimento e pertencimento, com Chris Smtih buscando a felicidade em uma versão melhorada de sua vida, mas que não é realmente a sua vida. Um dilema muitas vezes já abordado em tramas como o filme Liga da Justiça: Ponto de Ignição. Resta saber quais outros dramas vão ser aprofundados.
É um bom começo?
A trama é promissora e interessante, ainda que longe de ser original. O que me preocupa um pouco são as repetições de arcos nas histórias de James Gunn. Seguimos acompanhando um grupo de desajustados, onde temos um protagonista que tem problemas com o pai e com seu lugar no mundo, uma mulher durona também em crise (Harcourt), um personagem grandão meio babaca (Economos), um animal que faz parte da equipe (Eagly), muitas piadas com conotação sexual, enfim… Qualquer semelhança não é mera coincidência.
Porém, vou dar o voto de confiança e espero ser surpreendido, assim como fui na primeira temporada. Peacemaker conquistou o coração do público e tem a chance de fazer isso novamente.
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