Por que a história de Eu sou Betty, a feia funciona até hoje?

Por que a história de Eu sou Betty, a feia funciona até hoje?

A narrativa da garota “feia” que é desprezada por muitas pessoas simplesmente por sua aparência física é clássica no meio audiovisual. Seja nas telonas ou nas telinhas, esse tipo de história praticamente garante uma boa recepção por parte do público.

Eu sou Betty, a feia, novela de 1999, é um dos maiores, quiçá o maior exemplo deste estilo de história. A novela colombiana foi um sucesso de audiência no país, mas também se popularizou por todo o mundo, rendendo versões dos mais diversos países além de outra produções que tem proposta parecida. Mas por que essa fórmula continua relevante e boa de assistir ainda nos dias de hoje? Te convido para continuar a leitura e acompanhar minha reflexão sobre o tema. Vamos lá?

Assine Amazon Prime e aproveite os benefícios — frete grátis, jogos para download, catálogo de filmes e muito mais.

Conhecendo a trama

Meu primeiro contato com a história da novela não foi em sua versão original. Lá em 2013, se não me falha a memória, o SBT reprisava uma das novelas mais queridas pelo público e que por influência de nossas primas, minha mãe e eu começamos a assistir. A Feia Mais Bela (versão mexicana) era o evento de todas as tardes em minha casa.

A pequena Luane de 11 aninhos começou a acompanhar a trama já lá pela metade, mas algo (talvez o crush em Seu Fernando) me prendeu à novela. Não sei dizer bem o porquê, mas me apaixonei de cara com os personagens e todo o desenrolar da história me deixou muito curiosa. E lá estava eu, iniciando minha jornada novelística. Que nostalgia!

No comecinho de 2020 foi lançada Betty em NY, uma versão um pouco mais atualizada da trama, onde Betty e todo os personagens vivem em Nova York, obviamente. Mais uma vez, me empolguei bastante e maratonei incessantemente.

Mas, antes mesmo de assistir a essa versão eu já tinha a curiosidade de ver a original, não só pela curiosidade de conhecer o roteiro base, mas também para ver o quanto as outras versões eram diferentes dela. O resultado? mais extensas maratonas quando a mesma foi disponibilizada no Prime Video. E também chegou a continuação oficial e canônica da trama Betty a Feia, A História Continua, mas isso é papo para outro dia.

Veja também: Essas são as principais versões de Betty, a Feia pelo mundo

A história funciona em diferentes versões

O fato é que, independente da versão, a trama me prendeu com facilidade. Tudo bem que as três que citei antes são basicamente a mesma história com algumas diferenças de desenvolvimento e toque pessoais de identidade. Mas aí é que está: Ugly Betty, que é a versão estadunidense, tem uma história completamente diferente da colombiana. A única semelhança é o nome da protagonista mesmo, porque de resto absolutamente nada é igual em termos de andamento da trama. E ainda assim eu devorei a série!

Ok, talvez esse seja um problema de vício que eu preciso ficar mais atenta, talvez buscar ajuda, mas você está entendendo meu ponto? Algo na fórmula da menina “feia” é engajante. Se não fosse, não haveriam tantas tramas com a mesma base.

Confira: Novelas que passaram na TV em 1999: relembre os sucessos daquele ano

Uma história quase real

Depois de refletir bastante sobre o tema cheguei a uma conclusão: a história sempre é interessante porque ela não é tão distante da realidade. Não que tramas fantasiosas não possam prender e marcar o espectador porque elas definitivamente podem, mas há algo muito especial em ver uma realidade não tão distante da sua nas telas.

Muito mais do que sobre uma mulher “feia”, a história de Betty é uma construída para mostrar como muitas meninas e mulheres se veem na sociedade. O maior problema não é a falta de beleza, mas de autoestima.

Ora, como não se sentir inferior quando todos te enxergam apenas pela superfície? Como não se sentir feia diante de padrões de beleza inalcançáveis? Esse é a grande chave da trama. Betty, ou Letty, ou qualquer que seja seu nome, é uma mulher real que erra, acerta, luta, sofre, mas triunfa.

Por muitas vezes me vi na personagem, não por me achar feia, mas por entender suas lutas e dores. Apesar de alguns elementos que podem não ter envelhecido tão bem (leia-se Armando), a trama original continua super atual em sua proposta: mostrar para o mundo que a verdadeira beleza de uma mulher vem de sua autoconfiança, amor próprio e da vontade de vencer. O físico é só um reflexo da nossa força interior.

Sobre o Autor

Luane Mota
Luane Mota
Baiana, 23 anos, estudante de Cinema e Audiovisual. Apaixonada por animações e videogame. Amo falar e escrever sobre meus filmes, séries e livros favoritos.