O que é red herring em roteiros de suspense?

Mistérios e reviravoltas sempre foram ingredientes essenciais nos roteiros de suspense. Ao acompanhar uma história cheia de enigmas, o público naturalmente tenta adivinhar o desfecho, criando teorias e suspeitando de personagens. No entanto, nem tudo o que parece é realmente importante para o final da trama. Entre os recursos mais usados pelos roteiristas para confundir o espectador, está o famoso red herring. Você já ouviu falar nesse termo? Neste texto, vamos explicar o que é o red herring e como ele funciona nas obras de suspense. Confira!
Entenda o conceito
O termo red herring vem do inglês e significa literalmente “arenque vermelho”, um peixe com cheiro forte que, segundo algumas teorias, era usado para despistar cães farejadores durante caçadas. No mundo do cinema e da literatura, o significado é semelhante: trata-se de uma pista falsa inserida intencionalmente na história para desviar a atenção do público.
Nos roteiros de suspense, o red herring é uma ferramenta narrativa usada para induzir o espectador a seguir um caminho equivocado. Normalmente, ele aparece como um detalhe suspeito, um personagem misterioso ou uma situação ambígua que parece importante, mas que, ao final, revela-se irrelevante ou sem relação com o mistério central.
O principal objetivo do red herring é justamente confundir. Ele mantém a tensão elevada, provoca dúvidas e, muitas vezes, torna a revelação final ainda mais impactante.
Como o red herring funciona nas obras de suspense
O red herring pode aparecer de várias formas dentro de um roteiro. Um dos métodos mais comuns é através de personagens que parecem suspeitos ou que escondem algo, mas que, no fim, não têm nenhuma ligação com o crime ou mistério principal. Em outras situações, objetos ou situações aparentemente importantes acabam não tendo nenhum peso real na trama.
Além de manter o público atento, o red herring também serve para aprofundar a sensação de incerteza. Isso cria um clima em que ninguém é confiável e qualquer detalhe pode se transformar em uma revelação crucial. Frequentemente, essas pistas falsas são acompanhadas de trilhas sonoras tensas e diálogos enigmáticos, intensificando ainda mais o suspense.
No entanto, é importante ressaltar que o red herring precisa ser usado com cuidado. Quando bem construído, ele contribui para uma experiência envolvente, mas, se mal utilizado, pode dar a sensação de manipulação barata.
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Quando o red ferring funciona bem
Existem muitos casos em que o red herring foi aplicado com maestria, tornando a obra ainda mais instigante. Um exemplo clássico é o filme Psicose (1960), de Alfred Hitchcock. No início da trama, toda a atenção do público está voltada para Marion Crane e o dinheiro que ela roubou. No entanto, ao longo do filme, a história toma um rumo completamente inesperado, revelando que o verdadeiro mistério era muito mais sombrio.
Outro exemplo marcante é Os Suspeitos (2013), onde diversos personagens levantam suspeitas ao longo da trama. O filme apresenta várias pistas falsas e personagens ambíguos, fazendo com que o espectador questione a todo momento quem realmente é o culpado. Neste caso, o red herring aumenta a tensão de forma inteligente, sem comprometer a lógica da narrativa.
Quando o red herring frustra o público
Por outro lado, nem sempre o red herring é bem recebido. Há casos em que o recurso parece forçado, soando como uma armadilha preguiçosa ou até como uma “trapaça” contra o espectador.
Alguns episódios da série Sherlock Holmes, por exemplo, já foram criticados pelo uso exagerado de pistas irrelevantes. Em certos casos, a trama adicionava tantas distrações que o desfecho acabava dependendo de elementos pouco explicados, o que gerava frustração em parte do público.
Outro problema recorrente acontece em filmes de suspense genéricos, onde roteiros fracos abusam de reviravoltas inesperadas apenas para surpreender, sem uma construção sólida. Nessas situações, o red herring perde sua função de aumentar o suspense e passa a ser visto como um truque barato.
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Por que o red herring ainda é um recurso valioso
Apesar dos riscos, o red herring continua sendo um dos recursos mais fascinantes e eficientes nos roteiros de suspense. Quando bem utilizado, ele transforma a experiência do público, estimulando teorias, debates e aquela deliciosa sensação de surpresa ao final.
O segredo está no equilíbrio: é necessário criar distrações plausíveis, que façam sentido dentro da lógica da história, sem apelar para soluções forçadas. Assim, o red herring se mantém como uma ferramenta poderosa, capaz de elevar a trama a outro nível.
Na próxima vez que você assistir a um filme de mistério ou suspense, preste atenção: será que você também caiu em alguma pista falsa?
Sobre o Autor

- Baiana, 23 anos, estudante de Cinema e Audiovisual. Apaixonada por animações e videogame. Amo falar e escrever sobre meus filmes, séries e livros favoritos.
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