O novo Superman é o herói que inspira o mundo

O novo Superman é o herói que inspira o mundo

Olhe para cima! O Superman está entre nós. Dirigido por James Gunn (da franquia Guardiões da Galáxia) e protagonizado por David Corenswet, o filme do Azulão é o responsável por inaugurar o novo universo da DC nos cinemas. E, assim como falamos na nossa crítica sem spoilers, apesar de não ser perfeito, o longa é feliz ao entregar o que o público pede: esperança.

Para você que já assistiu ao filme, vamos para a análise com spoilers. Fica o alerta para quem ainda não assistiu, a partir de agora, este texto terá diversos detalhes do enredo e final do novo Superman.

Superman em meio a disputas internacionais

Gunn nos insere no universo onde o Superman já é um herói há três anos e a sociedade está acostumado com seres meta-humanos. O objetivo é não repetir o que, por tantas vezes, vimos como história de origem. Decisão acertada, pois não perde tempo em contar algo que todos que estão assistindo já conhecem – aos poucos esses detalhes vão sendo inseridos na trama.

Como os letreiros iniciais mostram, o Superman perdeu, há três minutos, sua primeira batalha. O responsável o ‘Martelo de Boravia’, um justiceiro de um país fictício do qual o Azulão recentemente se envolveu para impedir uma guerra contra Jaharpur – outra nação criada para o filme.

Apesar da derrota, ele consegue recuperar as forças na Fortaleza da Solidão e preparar uma ofensiva para combater o novo rival. Rival este que se mostra, em poucos minutos, ser apenas uma armação de Lex Luthor (Nicholas Hoult) junto do governo de Boravia para colocar os Estados Unidos e a população contra as ações do Superman. Na verdade, o ‘Martelo de Boravia’ é o Ultraman, fantoche de Luthor, que ainda conta com a ajuda da Engenheira (Maria Gabriela de Faria) e inúmeros equipamentos ultra tecnológicos.

Redes sociais

Além da inteligência, a grande arma de Luthor contra Clark Kent são as redes sociais e a pressão popular. Muitas vezes tido como o herói americano perfeito, o Superman aqui é colocado em um cenário de ameaça “extra muros” dos Estados Unidos. A disputa internacional entre dois países, tendo Kent como centro, e a representação como um alienígena (repetido muitas vezes pelo personagem de Hoult) demonstra nitidamente a intenção de Gunn em relacionar com o momento atual do mundo.

Luthor manipula a opinião pública, com mensagens distorcidas, bots (nesse caso, macaquinhos) para impulsionar conteúdos contra o Superman nas redes sociais e se aproveita da fragilidade humana causada pela imponência deste ser super poderoso. E ganha como bônus, uma gravação dos pais verdadeiros de Clark, que o mandaram em uma missão para conquistar a Terra, sendo que o herói não escutou a segunda parte recuperada da mensagem por Engenheira. Um prato cheio para as teorias de conspiração que Luthor tanto queria.

Universo compacto

Outro conceito apresentado com destaque é o universo compacto de Lex Luthor. Uma forma de tele transporte e aquisição de itens únicos na Terra, é o grande fator para a ameaça de Luthor ser mais impactante. O plano de Luthor é matar o Superman e ainda conquistar metade de Jaharpur, em uma aliança com Boravia.

Além disso, este conceito acaba sendo o principal fator para o desenvolvimento do terceiro ato, pela megalomania do vilão que acaba gerando uma grande fenda nos espaço-tempo e que vai ‘devorando’ Metrópoles ao meio.

Ultraman

Ai ai, quem conhece já sabe. Para mim, é o grande defeito do filme. Como um ser absolutamente poderoso, é difícil achar adversários a altura. O Ultraman é apresentado como estar força, mas que no final, para a surpresa de zero pessoas, ele é revelado como um clone malvado de Clark. Solução simples e óbvia demais. Incomoda pela falta de criatividade. No final, é derrotada em uma batalha sem grandes impactos.

Gangue da Justiça

Quem diria hein? Gunn não perde tempo com apresentações e já entregue a Gangue da Justiça (nome a analisar ainda), formado pelo lanterna verde Guy Gardner (Nathan Fillion), Mulher-Gavião (Isabela Merced), Senhor Incrível (Edi Gathegi) e, posteriormente, pelo Metamorfo (Anthony Carrigan). Com tempo considerável de tela, eles tem espaço para desenvolver suas personalidades e deixar espaço para utilização no futuro.

Superman: esperança

Gunn acerta em não ser repetitivo em cenas que mostram o Superman como solução única. São momentos que deixam o espectador emocionado, como o menino de Jaharpur que ergue a bandeira do herói ou planos que exaltam a imponência dele. Tudo com a trilha sonora marcante do Superman, o que é um bônus a mais.

Além disso, a relação com os pais de criação também traz um aspecto humano para o personagem. Assim como a relação, muito bem desenvolvida com a Lois Lane (Rachel Brosnahan), eles brincam, ‘brigam’ e são tão reais como nunca foram.

A sensação é parecida com a dos filmes de Christopher Reeve, quando o mundo passou a acreditar que um homem poderia voar.

Aparições especiais

São três participações surpresas: o Pacificador de John Cena, a Supergirl de Milly Alcock e Maxwell Lord de Sean Gunn (irmão do diretor). Ambos tem pouca relevância para a trama e servem apenas para aquecer o coração dos fãs e mostrar que o universo está sendo desenvolvido. Seja com a manutenção de nomes já apresentados, quanto com novos.

Krypto

Que fofo! Todas as cenas do Krypto, o supercão, são hilárias e ganham o público pela fofura e realidade, tantos dos efeitos especiais, quanto das atitudes do cão. Por bem, ele acaba sendo importante para ajudar o nosso herói em diversos momentos.

Cenas pós-créditos de Superman

Não é necessário ficar no cinema para assistir as duas cenas pós-créditos de Superman. A primeira é apenas a imagem já mostrada de Krypto e Clark olhando para Terra, enquanto a segunda é uma brincadeira (de teor questionável) entre o Senhor Incrível e o Superman com a reconstrução de prédios. Desnecessárias.

Sobre o Autor

Leonardo Pereira
Leonardo Pereira
Jornalista. Repórter no Folha do Mate, podcaster no Na Tabela e HTE Sports. Pitacos sobre cinema e cultura pop no Entre Sinopses.