Crítica | Vivo ou Morto: Um Mistério Knives Out

Crítica | Vivo ou Morto: Um Mistério Knives Out

Quem diria que a franquia Knives Out (Entre Facas e Segredos) se tornaria um dos grandes sucessos de crítica e pública da Netflix. O primeiro filme chegou devagar, sem grandes pretensões e teve uma recepção muito positiva. Após, o segundo filme não teve o mesmo mérito e pecou pelo exagero. Agora, com o terceiro longa, Vivo Ou Morto, o diretor Rian Johnson aposta novamente em um roteiro preciso e uma história mais contida dentro de um pequeno cenário.

Lançado nas últimas semanas pela Netflix, Vivo Ou Morto: Um Mistério Knives Out é famoso mistério ‘Whodunit‘ (quem cometeu o crime), com muito estilo e personalidade. O Entre Sinopses já assistiu ao filme e te conta, em detalhes, se vale ou não a pena.

Qual a trama?

O famoso detetive Benoit Blanc, interpretado pelo ex-James Bond, Daniel Craig, retorna para desvendar a misteriosa morte do monsenhor Jefferson Wicks (Josh Brolin). O caso ocorre à vista dos fiéis dentro de uma igreja após o sermão. Com câmeras e diversas testemunhas, o principal acusado passa a ser o reverendo Jud.

Além da descoberta do que ocasionou a morte, a trama também gira em torno das discordâncias com a forma como Wicks conduzia sua igreja e o controle que exercia sobre os poucos fiéis que ainda o seguiam.

Pontos positivos

O roteiro é o maior destaque de Vivo ou Morto. Na verdade, de todos os filmes desta franquia. Contudo, neste aqui, a cronologia narrativa é mais simples e semelhante ao primeiro longa, com pequenas inserções de momentos do passado para fechar o quebra-cabeça do presente.

O formato Whodunit, o famoso ‘Quem é o culpado?’ nos remete a obras conhecidas da autora Agatha Christie ou dos mistérios de Sherlock Holmes. O único elo entre os filmes é o excêntrico detetive Benoit Blanc, interpretado de forma hilária e exagerada por Daniel Craig, no maior Hercule Poirot, o mais famoso dos investigadores de Agatha.

A produção não tem vergonha de mergulhar em diferentes fontes para desenvolver a sua própria narrativa. E esse é um acerto, não apenas referenciar, mas desenvolver o próprio estilo. Desta vez, não buscando o exagero apenas para gerar situações surpreendentes, a trama é pé no chão e, mesmo assim, garante grandes momentos.

A dupla protagonista, Blanc e o reverendo Jud (Josh O’Connor) tem uma química incrível em tela e os diálogos entre os dois são fantásticos para desenvolver a narrativa. As loucuras de Blanc, somadas a instabilidade e os medos de Jud, formam uma dupla de muito carisma. O debate religioso, com um pé na atual realidade das redes sociais, também agrega no andamento do roteiro.

Vivo ou Morto também se mostra uma produção de alto padrão da Netflix. Elenco estrelado, design de produção, fotografia e figurinos que são fora da curva, em especial quando o assunto são produções da gigante vermelha do streaming, que ultimamente tem prezado mais pela quantidade, que pela qualidade no setor de filmes.

Pontos negativos

Como Vivo ou Morto já é o terceiro filme desta franquia em seis anos – além de beber de diversas fontes – a fórmula já começa a ficar repetitiva. Claro, é um formato literário de séculos e que ainda agrada aos fãs, em especial pela facilidade de absorção e divertimento, mas é inegável que, aos poucos, a saga precisará buscar novidades ou encerrar os arcos protagonizados por Blanc.

Apesar de mais sóbrio que o segundo, a resolução do mistério novamente precisa de bons exageros e coincidências para ser posta em prática. Não me incomodou, mas para muitos pode ser um empecilho para a melhor apreciação do longa.

Vale a pena?

Sem dúvidas. É um divertimento, um passatempo muito divertido e com uma qualidade técnica e de roteiro impressionante. Para mim, um pouco abaixo do primeiro, mas garantindo o posto de segundo melhor da saga.

VIVO OU MORTO
VIVO OU MORTO: UM MISTÉRIO KNIVES OUT
O excêntrico detetive Benoit Blanc está de volta para desvendar um crime que parece sem solução
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Sobre o Autor

Leonardo Pereira
Leonardo Pereira
Jornalista. Repórter no Folha do Mate, podcaster no Na Tabela e HTE Sports. Pitacos sobre cinema e cultura pop no Entre Sinopses.

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