Crítica | Viva – A Vida é Uma Festa (2017)

Música, tradição e família. Tem algo mais tipicamente latino do que isso? Em 2017 a Pixar nos presenteou com Viva – A Vida é Uma Festa (Coco, na versão original), uma animação lindíssima sobre legado, família e, claro, cultura mexicana, mais especificamente sobre o Día de Los Muertos.
A trama conta a história de Miguel, um garoto apaixonado por música e que sonha em seguir os passos de seu ídolo Ernersto de la Cruz. Um dia, sem querer, Miguel acaba parando no mundo dos mortos, uma terra mágica e, por mais incrível que pareça, cheia de vida onde encontra Hector, um esqueleto malandro que o ajuda na saga de encontrar o cantor e desvendar mistérios sobre o passado de sua família.
O filme representa a cultura mexicana de forma natural e honrosa
Quando estúdios estadunidenses se propõe a falar sobre a cultura latina, e em especial sobre a mexicana, é muito comum vermos muito estereótipos maldosos e datados. Viva não é um desses, no entanto. O longa mostra o dia-a-dia de uma família mexicana de origem simples, mas sem apelar para pobreza extrema e o bendito filtro amarelado. A produção explora os aspectos culturais de forma muito respeitosa, sempre a exaltando e de certa forma ensinando àqueles que não a conhecem.
Tudo sobre as tradições é muito interessante de se ver, e isso vai desde as relações familiares até os aspectos mais gerais da cultura. Viva tem muitas cores, música e gente alegre, assim como o povo mexicano é de verdade. Dá para ver como tudo foi feito com muito cuidado e por quem não somente sabe do que está falando, mas é apaixonado pelo país e suas particularidades.
Apesar de ser focado na cultura do México, acredito que as pessoas latinas de modo geral vão se enxergar nas história ou ao menos identificar algo que pareça familiar. Na sua família ou perto de onde você mora, já deve ter visto um cachorrinho como Dante, que acompanha Miguel em sua aventura. Um bichinho feliz, brincalhão e companheiro. Além disso, a relação entre a família, sempre junta, que se ajuda, mas que tem seus “arranca rabos”, também é mais um ponto no fator identificação.
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Legado e sua marca no mundo
Viva – A Vida é Uma Festa apresenta um conceito muito interessante: as pessoas que estão no mundo dos mortos permanecem vivas, desde que alguém não se esqueça delas. Esse conceito leva a duas cenas muito tocantes na história e que sempre me deixaram refletindo. Para quem crê em vida após a morte, esses momentos ressoam ainda mais profundo, já que, com certeza, te farão pensar nos entes queridos que já se foram.
O tempo todo o filme fala sobre isso: como as pessoas vão lembrar de você quando partir? Ernesto de la Cruz, por exemplo, deixou um legado de sucesso, já que foi um cantor famoso e adorado pelos fãs, enquanto Hector é um “zé ninguém”. Mas, o filme também questiona até onde nós somos capazes de controlar nossa marca no mundo. Será que o que realmente importa é que sejamos lembrados por fama, sucesso e riqueza? Ser lembrado por ser um ídolo é melhor do que ser lembrado por ser amado pela sua família?
Prepare os lencinhos…
Como quase todo filme da Pixar, Viva também tem sua boa dose de emoção. Na reta final do filme é capaz de que você nem consiga enxergar direito a tela, já que é muito provável que seus olhos estejam embaçados com as lágrimas. Há uma sequência de cenas emocionantes que vão te tocar. Pessoalmente, apesar de ser uma pessoa um tanto sensível, é bem difícil que um filme me faça chorar, mas meus amigos… Chorei e não foi pouco com este. Se você já tende a se emocionar com filmes, vá sabendo que Viva – A Vida é Uma Festa vai te arrancar lágrimas, e não serão poucas. Apesar de toda emoção, o filme também é muito divertido. Ele reserva seus momentos mais dramáticos lá para o final quando você já estará apegado com os personagens e suas histórias.
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Uma aventura divertida e emocionante
Viva – A Vida é Uma Festa é aquele filme que tem um impacto grande quando se assiste pela primeira vez, mas que continua maravilhoso e emocionante não importa quantas vezes você rever. Miguel é um protagonista muito interessante, Hector é um coadjuvante muito carismático e a família de Miguel, tanto a viva quanto a… menos viva, é muito divertida. Esse é o tipo de filme que muda pra sempre sua forma de ver o mundo e vai te acompanhar nos pensamentos nas horas de despedidas.

Viva – A Vida é Uma Festa
Direção: Adrian Molina e Lee Unkirch
Ano: 2017
Elenco: Anthony Gonzalez, Gael García Bernal, Benjamin Bratt, Alanna Ubach, Gabriel Iglesias, René Victor, Jaime Camil, Ana Ofelia Murguía e mais (vozes originais).
Duração: 1h45min
Para Mário e Laureano, meus queridos vovôs. Vocês sempre estarão vivos na minha memória e no meu coração.
Sobre o Autor

- Baiana, 23 anos, estudante de Cinema e Audiovisual. Apaixonada por animações e videogame. Amo falar e escrever sobre meus filmes, séries e livros favoritos.
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