Crítica | Superman

Crítica | Superman

O novo Superman, dirigido por James Gunn e estrelado por David Corenswet, chega aos cinemas como uma espécie de correção de rota do herói no cinema. Não é somente um recomeço, mas uma reconstrução. Ao invés de recontar a história de origem que todo mundo já conhece, o filme nos joga direto em um mundo onde o Homem de Aço já atua há três anos e meta-humanos já são conhecidos há pelo menos 300 anos.

Mas será que o filme acerta? Funciona introduzir o Superman novamente com uma nova versão? Vamos falar sobre isso a seguir. Vem comigo e confira a crítica do filme!

Qual é a história do filme?

Após intervir no conflito entre duas nações, inclusive uma delas aliada dos Estados Unidos, o papel do Superman (David Corenswet) é colocado em prova. Enquanto o herói acredita estar fazendo o melhor pela humanidade, algumas pessoas se questionam sobre a sua “autoridade”. Em meio a isso, Lex Luthor (Nicholas Hoult) articula uma força-tarefa para impedir a “ameaça alienígena” que ele enxerga no Homem de Aço.

A sensação ao assistir Superman (2025) é de folhear uma história em quadrinhos, abrindo numa edição qualquer no meio do arco, sem necessidade de explicações didáticas. E isso, por si só, já o diferencia das versões anteriores. E se você pode pensar que isso vai te fazer ficar com a sensação de que perdeu algo, pode ficar tranquilo que isso não acontece. O diretor entende que seu público conhece o mínimo a respeito do personagem e as lacunas aos poucos vão sendo preenchidas.

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O grande destaque: o trio principal

David Corenswet encarna um Superman que não é indestrutível. Ele é falível, comete erros, hesita e se culpa. Sua força física é óbvia, mas o longa faz questão de lembrar que seu maior poder está em sua humanidade. Ele vence batalhas, mas também perde. E tudo isso faz parte da sua construção e evolução enquanto personagem e, principalmente, super-herói.

Isso faz com que essa nova versão se aproxime mais de um símbolo de esperança, como acontece no cânone do personagem desde sua criação, do que a versão mais sisuda, realista e sombria de Henry Cavill (que também tem seus méritos, diga-se de passagem).

Rachel Brosnahan entrega uma Lois Lane inquieta e carismática, com uma energia investigativa que impulsiona várias cenas. Sua química com Corenswet ajuda a manter o filme ancorado emocionalmente. Uma cena de entrevista entre o casal protagonista é, sem dúvidas, uma das melhores do filme.

Já Nicholas Hoult surge como um Lex Luthor invejoso e meticulosamente obcecado. O roteiro faz questão de mostrar que ele não é apenas um milionário mau. Ele estudou cada passo do Superman, decifrou seus padrões, entendeu suas fraquezas e se preparou pacientemente para destruí-lo, seja criando burburinhos para gerar dúvida sobre a índole do herói ou preparando ameaças físicas ao Azulão.

Entre os coadjuvantes, o Senhor Incrível de Edi Gathegi é quem mais se destaca, com tempo de tela generoso e presença marcante. Krypto, apesar de não ter grande importância narrativa, rouba algumas das cenas mais divertidas.

A reconstrução do símbolo Superman

O ponto forte do filme é a reconstrução conceitual do Superman como símbolo. Gunn demonstra ser um profundo conhecedor do herói e tem um respeito evidente pelo material de origem, querendo com o filme transmitir ao público a sensação de que estamos, de fato, diante do maior herói da Terra em seus primeiros anos em ação. Superman aqui não é o herói mais experiente, mas nem por isso ele deixa de querer ajudar as pessoas e confiar nelas, algo ressaltado em diversos momentos por múltiplos personagens na obra.

A abordagem geopolítica e as discussões sobre o papel de um ser quase divino no mundo contemporâneo surgem com interesse, ainda que alguns desses temas fiquem na superfície – como os comentários sobre redes sociais, que acabam sendo apenas toques rápidos. O filme também faz piscadelas sobre questões como guerras entre nações (um tema em alta na sociedade) e o Superman como um imigrante na Terra (que também é um tema recorrente nos noticiários atuais).

Nas cenas de ação, o filme entrega bons momentos, mas deixa a impressão de que poderia ter ido além. Há lutas impressionantes e sequências bem coreografadas, mas também aquela expectativa de que o clímax seria ainda mais espetacular, e isso não acontece por completo. Mas também não desgostei dos desfechos apresentados.

Os problemas do filme

O segundo ato tropeça ao tentar equilibrar personagens demais e diversas linhas narrativas. Uma subtrama envolvendo Jimmy Olsen (Skyler Gisondo) e Eve Tessmacher (Sara Sampaio) é o ponto fraco: soa forçada e pouco interessante, destoando do tom geral e infelizmente ganhando mais importância do que deveria para as resoluções principais.

Mesmo assim, Gunn consegue retomar o fôlego no final, priorizando a construção do Superman como uma figura de esperança que inspira tanto o público quanto o universo fictício. O filme ainda deixa portas abertas para o futuro, e há até uma aparição especial que vai animar fãs, mas sem transformar isso no centro das atenções.

As cenas pós-créditos, no entanto, parecem uma adição totalmente desnecessária, sem impacto real (seja para fazer graça ou dar pistas para o futuro). Não funcionou.

Vale a pena assistir o novo filme do Superman?

Para quem cresceu lendo as histórias em quadrinhos e assistindo animações como Superman – A Série Animada e Liga da Justiça Sem Limites, Superman (2025) é um presente: um longa que respeita a essência do personagem e aposta na ideia de que seu idealismo continua relevante.

Mesmo com algumas fragilidades estruturais, a nova versão entrega o que promete: um herói que pode cair e falhar, mas que sempre vai levantar. E não só pela força, mas pela fé de que é possível ser melhor e acreditar no melhor das pessoas.

Superman (2025), estrelado por David Corenswet
Superman
Superman é um filme que respeita a essência do personagem e aposta na ideia de que seu idealismo continua relevante
4

Direção: James Gunn
Ano: 2025
Elenco: David Corenswet, Rachel Brosnahan, Nicholas Hoult, Edi Gathegi, Alan Tudyk, Skyler Gisondo, María Gabriela de Faría, Sara Sampaio, Terence Rosemore, Wendell Pierce, Neva Howell, Pruitt Taylor Vince e mais
Duração: 2h10min

Sobre o Autor

Heider Mota
Heider Mota
Baiano, 29 anos, jornalista. Gosto de dar meus pitacos sobre filmes e séries por aqui.