Crítica | Percy Jackson e os Olimpianos (1ª temporada)

Quase 15 anos após ser adaptada para os cinemas em Percy Jackson e o Ladrão de Raios, protagonizado por Logan Lerman, a saga literária criada por Rick Riordan recebeu uma repaginada. Buscando ser mais fiel aos livros, uma série foi produzida para o Disney+, adaptando um livro a cada temporada.
A segunda temporada da série sai nesta quarta-feira, 10. Mas o Entre Sinopses assistiu a todo o primeiro ano e traz, em detalhes, os pontos positivos e negativos da trama.
Qual o enredo?
O primeiro ano de Percy Jackson e os Olimpianos adapta, exclusivamente, os acontecimentos do livro que abre a saga ‘O Ladrão de Raios’. A produção acompanha Percy (Walker Scobell), um jovem semideus (metade humano, metade deus), que acaba sendo envolvido em uma disputa entre os deuses Zeus e Poseidon (pai de Percy) e acusado de ter sido o responsável pelo roubo de um raio, principal arma do maior deus do Olimpo.
Como toda boa jornada de herói, Percy é retirado da sua rotina e passa a conhecer este novo universo do qual está inserido pelo sangue. Com isso, passa a frequentar o Acampamento Meio-Sangue, um lugar para o treinamento de crianças e adolescentes semideuses. Lá, se aproxima de outros jovens, como o sátiro Grover (Aryan Simhadri) e a filha de Atena, Annabeth (Leah Jeffries). Além deles, também conhece outro ‘aliado’ Luke (Charlie Bushnell), filho de Hermes.
O objetivo central desta primeira temporada é resolver o enigma de quem roubou o raio, encontrar o artefato, devolver para Zeus, salvar a mãe de Percy (que está aprisionado com Hares, outro dos grandes deuses) e, por fim, impedir uma guerra celestial. Ufa! São muitos objetivos.
Pontos positivos
A série é extremamente eficiente na imersão no universo. Diferente do que presenciamos nos filmes, aqui o tempo de tela e nível de detalhamento é maior e, por conta disso, é mais fácil entender todos os meandros do universo e como Percy é inserido nele.
Além disso, o trabalho de design de produção também merece destaque. Ainda que tenha orçamento menor ao dos longas, os efeitos especiais são convincentes e diversas são as tentativas acertadas para reduzir os custos, sem prejudicar o contexto. Jogos de câmera e decisões narrativas são essenciais para manter a magia do universo.
A idade dos atores escolhidos é outro acerto. Quem teve a oportunidade de ler os livros sabe que a trama, em especial nas primeiras obras, é mais infantil e os protagonistas são pré-adolescentes entre 12 e 13 anos. O que ajuda a ser mais fácil aceitar algumas decisões tomadas, que no filme pareciam apenas ‘burrice’. E a produção teve ‘culhão’ para mudar a etnia de diversos personagens, talvez com o objetivo de garantir uma personalidade própria da série. E, admito, o elenco jovem é competente, apesar das fragilidades ocasionadas por conta da pequena experiência em tela da maior parte dos atores.
O comprometimento com a fidelidade ao texto de Rick Riordan vai encantar os fãs dos livros. Inúmeros detalhes são levados ao pé da letra e, para quem conhece apenas os filmes, pode até estranhar diversos acontecimentos e até a personalidade dos personagens. Sim, tem seus momentos positivos e outros nem tanto.
Pontos negativos
Falta um Q de épico na produção. Ainda que vários momentos tenham essa escala maior de tensão, não me passaram a sensação de GUERRA DE DEUSES, que tanto os livros quanto o filme conseguem entregar de forma mais competente. A demora para engrenar também pode afastar espectadores mais ansiosos.
Já a repetição do roteiro causa uma sensação de dejavú. Afinal, já vimos esta mesma trama em dois formatos diferentes e de muito sucesso entre o público. É o risco de adaptar, novamente, uma saga que teve uma versão há menos de duas décadas. Será o mesmo efeito que sofrerá a nova série do Harry Potter, que deve estrear em 2026.
Vale a pena?
Vale sim. Sem preconceitos e com uma alma mais leve quanto à adaptação, Percy Jackson e os Olimpianos é eficiente no que se propõe e pode ser considerada melhor que os filmes que fizeram sucesso no início dos anos 2010. Veremos, agora, a segunda temporada, que adaptará O Mar de Monstros, segundo livro da saga.
Sobre o Autor

- Jornalista. Repórter no Folha do Mate, podcaster no Na Tabela e HTE Sports. Pitacos sobre cinema e cultura pop no Entre Sinopses.
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