Crítica | Peacemaker (2ª temporada)

Crítica | Peacemaker (2ª temporada)

Após uma surpreendentemente boa primeira temporada, a série do Peacemaker, estrelada por John Cena, retornou para um segundo ano em situações bem diferentes. Antes ambientada no DCEU de Zack Snyder, agora ela está no DCU de James Gunn. Com total controle sobre o universo, o diretor não perdeu tempo com explicações complexas sobre essa troca e resolveu tudo em um retcon descarado logo na recapitulação dos eventos anteriores.

Depois disso, a série embarca em duas frentes principais: os conflitos de Chris Smith (seu deslocamento do mundo, os sentimentos por Harcourt, querendo ser levado mais a sério pelas pessoas) e a busca de vingança de Rick Flag Sr. (Frank Grillo) pela morte do filho que veio justamente pelas mãos do Pacificador em O Esquadrão Suicida, filme de 2021.

Mas será que a temporada se sustenta? Os arcos são bem resolvidos? Vamos falar a respeito a seguir. Confira a crítica da segunda temporada de Peacemaker.

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Pouca ação, muito drama e comédia bobalhona

Há temas interessantes na segunda temporada de Peacemaker. Principalmente no início, com Chris Smith (John Cena) buscando se afirmar como um herói e não somente como um matador de aluguel ou uma piada. A entrevista dele com a Gangue da Justiça é boa, mas não pelas aparições de Max Lord (Sean Gunn), Lanterna Verde/Guy Gardner (Nathan Fillion) e Mulher-Gavião (Isabela Merced). Os diálogos são terríveis, mas a rejeição deles ao Pacificador só complica ainda mais o estado emocional do personagem.

Partindo desse ponto, a série distancia, não somente o seu protagonista, como a sua trama principal, de uma ação mais frenética como era esperado diante do histórico, seja da sua participação no filme de 2021 ou até da primeira temporada. Pouco vemos o Peacemaker com seu uniforme, por exemplo. As cenas de luta são contadas e o principal momento de ação do personagem quase não tem importância (acontece em uma de suas idas para a dimensão alternativa).

O arco mais interessante da temporada é a ida do Pacificador para a dimensão alternativa, onde encontra o pai e o irmão vivos, além de lá ter um relacionamento com Emilia Harcourt (Jennifer Holland). Esse poderia ter sido todo o foco da produção nesse segundo ano, e evitaria resoluções rápidas e o esquecimento sem uma devida finalização para essa parte, como acabou acontecendo. A duração dos episódios é um problema, já que eles são muito rápidos e apressam os acontecimenos. Já o último episódio, o mais longo da temporada, poderia ter sido mais curto…

Visualmente, a série mantém o estilo vibrante e exagerado de Gunn. A construção da dimensão alternativa trabalha bem os aspectos visuais e dá pequenas e grandes pistas da reviravolta, que apesar de previsível, é bem feita.

Tudo se encaminhava para uma resolução com mais desenvolvimento e amadurecimento do protagonista, mas a decisão final joga tudo isso no lixo. Resumir a jornada do Peacemaker a uma resposta positiva da Harcourt sobre ter sentido algo quando eles se beijaram é uma escolha narrativa tenebrosa. Aconteceu tanta coisa para esse ser o motivo dele voltar ao grupo? James Gunn estava pouco inspirado.

E falando em James Gunn, a gente conhece o estilo do diretor principalmente em relação a comédia. Mas aqui foi tanta coisa desnecessária e sem graça que acredito ser o ápice negativo dele nesse sentido. Foram muitas piadas terríveis e tempo perdido com falas e histórias que nada acrescentam.

James Gunn

Mente criativa por trás do novo Universo DC (DCU), James Gunn escreveu todos os episódios e dirigiu alguns desta temporade de Peacemaker. Considerando que esse é o terceiro projeto do DC Studios, chegando após Comando das Criaturas e Superman, é a terceira entrada comandada 100% pelo cineasta. Eu gosto das criações de James Gunn, mas acho que é a hora de um bom respiro em relaçao ao estilo dele.

Essa temporada tem todas as marcas da carreira do diretor. Personagens disfuncionais, um grupo totalmente diferente que se junta como uma família, animais que ganham destaque, piadas com conotação sexual e a inserção de músicas (aqui, talvez, o pior do diretor em todos os seus trabalhos).

Quero ver visões criativas mais diferentes na continuidade do Universo DC. Por mais que Gunn seja competente e diga que essa temporada vai ter importância para as próximas produções, torço para que Supergirl e, principalmente, Lanternas sigam outros caminhos.

É melhor que a primeira temporada?

Essa é uma discussão inevitável, e muita gente está divergindo nos vereditos. Da minha parte, gostei da evolução do elenco como um todo nessa segunda temporada. Eles estão bem mais à vontade em seus personagens e a química dos 11th Street Kids é bem colocada em tela, mesmo com eles passando boa parte da temporada separados.

John Cena está muito bem no segundo ano, principalmente nos arcos dramáticos. Holland entrega duas versões da Harcourt que são totalmente diferentes, mostrando sua evolução como atriz. De resto, nada muito significativo além do menor espaço cedido a Freddie Stroma como o bom Adrian Chase/Vigilante. em relação a Frank Grillo, seu antagonista não me agradou. Me parece muita forçada de barra sua aliança com Lex Luthor, mesmo com sua sede de vingança contra o Pacificador.

Em relação a roteiro e história, a primeira temporada é muito superior. A trama é mais coesa e tem início, meio e fim. Aqui temos um começo promissor, um meio que mais prepara do que entrega, e um final insatisfatório.

O que esperar do futuro?

Apesar de 58 minutos, o episódio final dedica 40 deles a requentar tramas que já haviam sido exploradas no decorrer da temporada e 18 a apresentar pequenos e grandes ganchos para o futuro do Universo DC. Não gosto da resolução das tramas do Peacemaker na prisão, da reunião dos 11th Street Kids e até mesmo da formação de uma nova agência, a Check Mate. Poderiam ter dedicado mais tempo a isso do que a piadas sobre vômitos e peitos.

A busca por uma dimensão alternativa a ser usada como prisão é interessante, mas no que ela verdadeiramente diverge do que a dimensão de bolso que Lex Luthor fez no filme do Superman? E o ato final em colocar Chris Smith lá consolida Rick Flag Sr como vilão, mas se James Gunn diz que não há planos para uma terceira temporada, onde veremos as resoluções disso? Só o futuro dirá e ele não me empolga muito.

Vale a pena assistir a 2ª temporada de Peacemaker?

Muita construção de expectativa e pouca entrega. E não é por esperar participações especiais, mas sim por falta de uma história mais coesa, como ocorreu no primeiro ano. Até mesmo o interessante arco de amadurecimento do protagonista foi atrapalhado pelas decisões de Gunn no episódio final.

Não gostei da segunda temporada, e esperava mais, até pelo hype que o próprio diretor colocou em cima da produção. De oito episódios, diria que três foram bons e o restante de mediano para ruins. Uma pena…

Peacemaker 2a temporada
Peacemaker (2ª temporada)
Muita construção de expectativa e pouca entrega.
2

Roteiro e criação: James Gunn
Elenco: John Cena, Jennifer Holland, Danielle Brooks, Freddie Stroma, Steve Agee, Frank Grillo, Sol Rodriguez, Tim Meadows e mais.
Episódios: 8
Disponível em: HBO Max

Sobre o Autor

Heider Mota
Heider Mota
Baiano, 29 anos, jornalista. Gosto de dar meus pitacos sobre filmes e séries por aqui.