Crítica | Observadores

Crítica | Observadores

Em 2025, praticamente todos os assuntos que envolvem a atriz Sydney Sweeney são polêmicos. Desde a sexualização até questões envolvendo racismo e eugenia, mas em 2021 a realidade era um pouco diferente. Á época, a jovem atriz era uma das promessas de Hollywood após atuação de destaque na série da HBO Max, Euphoria, e protagonizou seu primeiro longa de maior repercussão: Observadores (The Vouyers).

O thriller de suspense erótico ganhou fama pela peculiaridade da narrativa e, também, pela cenas de nudez protagonizadas pela atriz e a problemática personalidade da protagonista. Mas, afinal, com o distanciamento histórico, podemos afirmar que o filme tem méritos e deixa o espectador preso do primeiro ao último minuto (quase que literalmente)?

Qual a trama?

Um jovem casal, Pippa e Thomas, interpretados por Sydney Sweeney e Justice Smith, passa a morar juntos e, logo nos primeiros dias no novo apartamento, passa a se interessar pela vida de seus vizinhos do outro lado da rua, Sebastian e Júlia (Ben Hardy e Natasha Liu Bordizzo).

O que começa como uma curiosidade inocente se transforma em uma obsessão doentia, depois que eles descobrem que o vizinho está traindo. A tentação e o desejo fazem com que suas vidas se misturem, levando a consequências mortais.

Pontos positivos

A temática central do longa foca em um assunto bastante atual: o interesse pela vida alheia e a falta de privacidade. O que antigamente eram apenas fofocas entre vizinhos ou amigos, agora foi potencializado pelas redes sociais. É praticamente impossível ficar alheio ao Instagram, Facebook ou outro rede social e acompanhar, o dia a dia, todos os dias, de amigos, conhecidos e famosos.

No entanto, o filme leva isso ao pé da letra. Com apartamentos, no mínimo, ‘mostradinhos’, Pippa e Thomas podem acompanhar a rotina completa dos vizinhos, que não tem a mínima vergonha de fazer tudo sem cortinas nas enormes janelas. Com o decorrer dos acontecimentos, a produção é competente em manter a tensão no alto, com uma sequência frenética de eventos.

Chamariz da produção, junto com a peculiaridade da situação, a sexualidade é um ponto chave na trama. Principalmente no arco do vizinho e fotógrafo Sebastian, o Seb, que seduz as modelos, enquanto mantém um relacionamento, em tese, complicado com Julia. A tensão sexual, inclusive, é estopim para a obsessão dos protagonistas com os vizinhos. É o tipo de filme que, o tempo todo, parece que os personagens estão mais animados do que deveriam, sabe? Sydney Sweeney que o diga.

Ao final, uma grande reviravolta é responsável por mudar completamente tudo que o espectador pensava sobre a trama. A narrativa de ‘até onde a arte pode ir’ agrega ao contexto de invasão de privacidade já falado para criar um roteiro coeso com o que se propõe a debater.

Pontos negativos

Conveniência. Esta é a palavra que define Observadores. Desde o plot base, com os apartamentos totalmente abertos aos olhares dos vizinhos até a reviravolta final, tudo surge na trama de forma prática e sem grandes dificuldades.

A amizade de Pippa com Julia, a forma como o casal tem acesso ao apartamento alheio (a tecnologia do laser e a impressora são brincadeira) e, por último, a falta de consequências de tudo é constrangedor. Tudo isso, somado às decisões para lá de questionáveis da protagonista Pippa, deixam o filme com um ar de: tenho um objetivo a alcançar, como chegarei lá não importa.

Vale a pena assistir Observadores?

Disponível no Prime Video, Observadores é um filme de fim de noite. Que é mais pretencioso do que deveria e mais divertido que se propõe a ser. Uma experiência esquecível, mas interessante ao mesmo tempo.

observadores
OBSERVADORES (2021)
Quando a vida dos vizinhos passa a ser mais importante para você que a sua. O que fazer?
2.5

Sobre o Autor

Leonardo Pereira
Leonardo Pereira
Jornalista. Repórter no Folha do Mate, podcaster no Na Tabela e HTE Sports. Pitacos sobre cinema e cultura pop no Entre Sinopses.