Crítica | Número Desconhecido: Catfishing na Escola (2025)

Crítica | Número Desconhecido: Catfishing na Escola (2025)

Nenhum filme de terror assusta mais do que a vida real. Essa é uma frase que eu costumo usar para tentar convencer minha esposa a assistir algum terror comigo. Até o momento não tive sucesso nessa missão, mas continuo achando muito verdadeira essa afirmação. E, após assistir a Número Desconhecido: Catfishing na Escola, novo documentário lançado pela Netflix, essa frase não saiu da minha cabeça.

A história real acompanha um jovem casal, que tem por volta dos 13-14 anos de idade e vive em uma cidade pequena nos Estados Unidos. Pouco depois de começarem a namorar, a garota chamada Lauryn Licari começa a receber mensagens de texto pesadas sobre o relacionamento, seu corpo e até ameaças. Owen McKenny, o namorado, também vira alvo das mesmas mensagens. Conforme o tempo avança, vários suspeitos são colocados sob a mira, mas as mensagens não param.

O documentário então acompanha a investigação e como esse crime de catfishing mudou a vida de todos os envolvidos para sempre e movimentou a pequena Beal City, localizada no estado de Michigan, EUA.

Mas por que esse documentário é interessante? E por que se encaixa na minha afirmação sobre o terror da vida real? Vamos falar a respeito a seguir. Vem comigo!

Leia também: Conheça quais são os principais tipos de documentários

O que é catfishing?

Antes de falar sobre o documentário, vamos entender o que é catfishing, crime que dá base a toda a história que acompanhamos no filme.

Catfishing é quando uma pessoa cria um perfil falso na internet para enganar alguém. Geralmente isso acontece em redes sociais ou aplicativos de relacionamento, onde a pessoa finge ser outra, usando fotos, informações e até histórias inventadas. O objetivo pode variar, desde tentar conquistar alguém até aplicar golpes. É uma forma de manipulação que costuma causar muita frustração e desconfiança em quem é enganado.

Por que é um documentário interessante?

Uma das primeiras coisas que esse documentário faz com o público é apostar no clássico ‘whoddunit‘. Apesar de ser uma história real, muita gente (principalmente fora dos EUA) não conhecia o caso. Então o mistério em cima de quem é o responsável já é um excelente chamariz e domina o foco da atenção desde o início.

Em seguida, o caso é realmente curioso e não tão distante de uma realidade que pode acontecer com qualquer um. Em tempos onde a perseguição online infelizmente tem se tornado rotineira, além do fato de estarmos conectados a praticamente todo instante, é fácil se colocar na pele do jovem casal. Inclusive, esse é outro fator de curiosidade. Estamos lidando inicialmente jovens menores de idade, que conforme a história avança vão crescendo e acompanhamos esse crescimento.

O documentário inclui entrevistas com os envolvidos (as vítimas, parentes, colegas), depoimentos do diretor da escola em que as vitimas estudavam, o policial que conduziu a investigação e até mesmo um interlocutor do FBI que ajudou a chegar à resposta de quem era o culpado pelas mensagens. E a resposta é, sem dúvidas, chocante.

A curta duração de 1h30 certamente fez com que a diretora Skye Borgman tivesse que cortar algumas partes da história, mas ao meu ver nada que afetasse o resultado. O documentário é muito bem conduzido, com a história sendo contada de forma cronológica com o apoio de gráficos, datas em tela e seguindo a condução da investigação policial.

Pontos negativos

O documentário faz um ótimo trabalho em conduzir o espectador pelos caminhos que a investigação percorreu, inclusive indo nas direções erradas que aconteceram durante o caso. Há diversas respostas que chegam cedo demais para ser a resolução do caso, e o filme não faz questão de se desviar delas justamente para aumentar no público a expectativa pelos desfechos.

Quando a resposta vem, ela chega de forma chocante de arrasadora. Como o documentário fez esse trabalho de pistas falsas por um bom tempo, chegamos até a torcer para que essa seja mais uma delas, mas não é mais. Então quando temos o resultado, o filme ainda dedica pelo menos 30 minutos para o desenrolar dos fatos.

Aqui acho que faltou um pouco mais de exploração do que se passou na mente do culpado, se suas justificativas tinham mesmo fundamento e como ficou a cidade após a resolução do caso. Temos algumas informações, principalmente dos mais envolvidos, mas poderia ter sido ainda mais profundo nesse aspecto.

Também acredito que, para fins de informação à sociedade, seria interessante explicar mais sobre o que é catfishing e quais os efeitos que ele pode causar, além das potenciais punições.

Vale a pena assistir a Número Desconhecido: Catfishing na Escola?

Se você gosta de histórias de mistério, suspense e investigação, sem sombra de dúvidas aqui há um prato cheio. Apesar de não ser ficção, o tempo inteiro fiquei pensando em como essa história poderia dar em um bom filme atuado (não dúvido que aconteça um dia, tá?).

Ainda que venha com uma resolução verdadeiramente revoltante, e que mesmo quando o filme acaba você vai se pegar pensando em tudo o que viu várias e várias vezes, além de colocar em dúvida se as condenações aplicadas foram o suficientes, Número Desconhecido: Catfishing na Escola é um trabalho investigativo interessante, instigante e que cumpre o seu papel em despertar ao público a curiosidade sobre um caso inacreditável.

Número Desconhecido Catfishing na Escola
Número Desconhecido: Catfishing na Escola
Número Desconhecido: Catfishing na Escola é um trabalho investigativo interessante, instigante e que cumpre o seu papel em despertar ao público a curiosidade sobre um caso inacreditável.
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Ano: 2025
Direção: Skye Borgman
Duração: 1h34min
Disponível em: Netflix

Sobre o Autor

Heider Mota
Heider Mota
Baiano, 29 anos, jornalista. Gosto de dar meus pitacos sobre filmes e séries por aqui.

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