Crítica | Missão Impossível – O Acerto Final

Costuma ser inevitável para franquias que ultrapassam a barreira do terceiro filme a queda de qualidade dos longas. A repetição de ideias e a falta de história para ser contada tendem a ser os principais obstáculos enfrentados. Contudo, estamos diante de um caso a parte, a franquia Missão Impossível.
Protagonizada por Tom Cruise no papel de Ethan Hunt, a saga soube se reinventar, muito pela sede de desafios do ator, e foi crescendo em qualidade com o passar dos anos. Ainda assim, a fórmula já passava por desgastes e, por conta disso, chega ao fim no oitavo filme, que conta com o subtítulo de O Acerto Final. Fica a pergunta: é um final digno para a franquia?
Continuação direta do sétimo filme
Dirigido novamente por Christopher McQuarrie, responsável pela franquia a partir do quarto filme – curiosamente quando há essa mudança de chave na qualidade -, O Acerto Final segue a batalha de Ethan Hunt (Tom Cruise) para desativar a ameaçadora A Entidade, uma inteligência artificial que ataca todo o sistema global de computadores.
Com uma espécie de chave-mestra para desvendar o mistério e deter este perigo, Ethan, junto dos já conhecidos Luther (Ving Rhames), Benji (Simon Pegg) e Grace (Hayley Atwell), e os novatos Degas (Greg Tarzan Davis) e Paris (Pom Klementieff), precisa correr contra o tempo para impedir a destruição mundial.
Missão realmente impossível
Lá nos já longínquos anos 90, a saga era marcada por missões praticamente impossíveis que eram contornadas pelos protagonistas. Nos últimos filmes, apesar da melhora técnica e dos roteiros, a franquia pendeu para o lado da ação e reduziu esse efeito de grandes desafios.
Agora, por outro lado, o impossível do título não é por acaso. Tanto a missão principal quanto as secundárias são os maiores desafios que Ethan já enfrentou em oito filmes. Como a ameaça é invisível (ainda que Gabriel, interpretado por Esai Morales, seja o vilão secundário em ‘carne e osso’), a corrida é contra um mau inatingível e o risco é de um apocalipse global – ainda que, claro, seja necessário reduzir a escala para que os protagonistas possam resolver os problemas.
Três atos bem distintos
São três horas de duração, praticamente divididas em três capítulos. O primeiro é o mais problemático tendo em visto as questões narrativas, são diversos núcleos e eventos apresentados de forma muito dinâmica e pouco aprofundada. Este momento é uma marca registrada da série, mas que pode incomodar o público menos acostumado, que pode ler o ato como confuso e maçante.
A segunda parte tem como foco a missão secundária. É aqui que o Tom Cruise começa a brilhar e os desafios se iniciam, com a necessidade de invadir um submarino naufragado para buscar mais informações para resolver o mistério. Ainda que marcado por exageros, é o primeiro vislumbre da ação de brilhar os olhos do ato final.
Já a última hora é enervante. São praticamente 60 minutos de ação ininterrupta e que fazem o espectador ficar preso na poltrona sem mover um músculo sequer. Sequências aéreas, no solo, no subsolo e uma luta contra o tempo para salvar o mundo. Tudo filmado com a excelência e realismo prezados por Cruise.
Ainda assim, a impressão, analisando de forma geral, é que o filme poderia ter, pelo menos, uns 30 minutos a menos de duração. Faria bem para o ritmo, principalmente dos dois atos iniciais.
O mundo em xeque
Filmes de ação costumam cair no clichê de ameaça mundial, porém, ainda que este clichê se repita em O Acerto Final, ele é utilizado de forma bastante inteligente. O vilão é uma inteligência artificial que quer destruir a humanidade e para isso utilizará as armas nucleares das principais potências globais. No entanto, como A Entidade é um ser impossível de dialogar, os dilemas ficam por conta de decisões dos protagonistas e das nações envolvidas – em especial os Estados Unidos (obviamente).
Entre desativar os próprios armamentos, atacar os demais países ou aceitar a proposta de Ethan, a presidente americana, interpretada muito bem pela incrível Angela Bassett, fica entre diversas dúvidas e decisões conflitantes. Com isso, a produção consegue criar um dilema ainda maior, para além da corrida dos protagonistas.
É uma opção interessante, em especial porque os vilões, seja A Entidade ou Gabriel, têm poucos momentos de destaque.
Tom Cruise
Claro que ele precisava ser destacado. Cruise, nesta segunda fase da carreira, é conhecido pelas sequências de ação inacreditáveis que realiza na prática. Aqui são diversas as cenas onde temos a certeza de um realismo que nenhum efeito digital é possível de captar. Pontos para ele, que segue sendo um dos grandes astros de Hollywood mesmo na casa dos 60 anos.
Vale a pena?
Marcado também por homenagens e despedidas de personagens queridos, Missão Impossível – O Acerto Final é um encerramento digno e de altíssima qualidade para esta franquia que soube se reinventar e, também, entende o momento de dizer adeus. Um dos grandes filmes de ação das últimas décadas e que, com certeza, vai deixar saudades nos fãs de cinema.

Sobre o Autor

- Jornalista. Repórter no Folha do Mate, podcaster no Na Tabela e HTE Sports. Pitacos sobre cinema e cultura pop no Entre Sinopses.
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