Crítica | M3GAN 2.0

Porque fizeram uma sequência para M3GAN? Ah, ingenuidade minha questionar isto. Com US$ 181 milhões de bilheteria, a partir de um orçamento de míseros US$ 12 milhões, e uma viralização orgânica nas redes sociais, em especial no TikTok, era natural que os produtores corressem para lançar a sequência menos de três anos após o primeiro longa.
Contudo, nem tudo são flores para esta jovem saga do terror. Lançado em meio a blockbusters como F1: O Filme, Superman e Quarteto Fantástico: Primeiros Passos, M3GAN 2.0 fracassou nas bilheterias mundiais, com singelos US$ 39 milhões, bem abaixo do antecessor. O que explica essa queda? O filme realmente é ruim?
Qual a trama de M3GAN?
Dois anos após o primeiro filme, desta vez a ameaça é a inteligência artificial Amelia (Ivanna Sakhno), uma arma militar criada a partir do ‘modelo’ M3GAN – que foi, teoricamente, destruída no filme anterior. Amelia passa a se rebelar contra as ordens humanas e torna-se um risco para a humanidade. Neste cenário, a criadora de M3GAN, Gemma (Alison Williams) e sua sobrinha Cady (Violet McGraw), precisam buscar alternativas para parar esta nova invenção.
No entanto, apenas M3GAN é capaz de interromper Amelia e, por conta disso, a trama gira em torno da necessidade de reconstruir a perigosa robô. O plot é simples: robô maligno contra robô que foi maligno e agora quer dar a volta por cima.
Comédia ou terror?
Em diversos momentos, a sensação que fica é que estamos assistindo a uma paródia do primeiro filme. Não que M3GAN fosse o suprassumo da seriedade, mas em comparação com este, realmente está em outra prateleira.
M3GAN 2.0 é um catado de ideias mirabolantes, cenas cômicas e momentos inacreditavelmente idiotas. Vale para a inteligência artificial que quer mostrar que também pode evoluir e se tornar algo melhor, até uma criança gênia que é mais importante do que deveria neste roteiro cheio de furos.
A trama é tão besta que, se esse fosse o propósito, talvez o resultado seria positivo. Contudo, parece que os produtores levaram a sério a brincadeira e, mesmo com um mar de idiotice em tela, ainda preferem o discurso realista e tenso. Não, o que é idiota deveria ser tratado desta forma.
Essa indecisão faz com o que público fique em dúvida se ri ou leva a sério quando uma robô faz uma piada muito besta ou começa a dançar sem motivo. A falta de tom do filme é nítida, assim como a dificuldade para entender qual o público-alvo que pretende atingir.
É muito violento para as crianças que viralizaram o antecessor e muito bobinho para quem busca um entretenimento mais sério.
Inteligência artificial
Acredita que M3GAN 2.0 tem a audácia de tentar debater os perigos da inteligência artificial e como elas podem ser usadas para o mal? São diálogos deslocados e uma trama de dominação mundial que não cabem no mesmo filme que coloca duas robôs para lutarem ao estilo karatê e com diversas frases de efeito.
Leia também: 9 filmes que abordam o tema da inteligência artificial
Referências
O fã de cinema vão encontrar diversas referências em M3GAN 2.0. Desde o Mãozinha de A Família Addams (e Wandinha), Chucky, Frankenstein e até Missão: Impossível. É um festival de ideias reaproveitadas.
Vale a pena assistir M3GAN 2.0?
M3GAN 2.0 é um filme para assistir enquanto olha no celular, fazendo o almoço ou antes de dormir. Despretensioso e pouco criativo, é um festival de ideias repetidas e uma fórmula extremamente batida. Ou seja, é uma produção de baixa qualidade e que só vale a pena se você estiver com poucas opções ou quer assistir a algo que não vai necessitar de muita atenção.

Sobre o Autor

- Jornalista. Repórter no Folha do Mate, podcaster no Na Tabela e HTE Sports. Pitacos sobre cinema e cultura pop no Entre Sinopses.
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