Crítica | Jurassic World: Recomeço

Estou prestes a falar de uma das maiores sagas da história do cinema e que é, também, uma das que mais fazem os fãs sofrerem com produções de baixo nível. Essa descrição poderia definir muito bem Star Wars, mas não é dela que falarei hoje e sim de Jurassic World/Park. Após um estrondoso sucesso nas bilheterias com o retorno na década passada, a saga precisou se reinventar com o fracasso de crítica do detestável Domínio. No entanto, quem esperava algo muito melhor, pode tirar o dinossauro da chuva: Recomeço é um recomeço triste para os dinos.
Pelo menos, é preciso enfatizar que sim, estamos diante de uma produção mais qualificada do que Domínio – não que isso signifique muito. Em Recomeço, o cenário é menos amplo e as ameaças são sim os dinossauros, apesar que ainda com modificações genéticas. Mas, vamos parar de papinho e falar logo se vale a pena ver o novo filme de Jurassic World.
Sobre o que é a trama
Cinco anos se passaram após os eventos de Jurassic World: Domínio e o planeta Terra se mostrou inóspito para os dinossauros. As espécies que sobreviveram vivem em ambientes próximos à Linha do Equador. Neste cenário, uma empresa farmacêutica contrata um grupo de mercenários, encabeçados por Zora (Scarlett Johansson), Duncan (Mahershala Ali) e o professor Loomis (Jonathan Bailey) para buscar o DNA das três maiores criaturas da água, ar e terra. O objetivo é, teoricamente, salvar inúmeras vidas humanas.
Em meio a essa caçada, eles são confrontados por uma família que realizava um passeio de férias e acabou entrando na zona perigosa (e, a princípio, proibida) em que vivem os temíveis monstros. E não esqueça desta família, pois eles serão o principal motivo de indignação do público durante as duas horas de exibição.
Faça o simples, por favor
Não, desde o segundo Jurassic Park já sabemos que é impossível tornar os gigantescos e ameaçadores dinossauros como o único perigo na trama. Em Recomeço, ao contrário de Domínio onde os gafanhotos eram os protagonistas, os dinossauros são realmente a maior ameaça. Mas, ao invés do T-Rex ou o Velociraptor, precisamos ter diversas espécies modificadas e híbridas para gerar perigo.
E é um show de horrores. Desde um ser voador que parece uma galinha sem penas (e uma bela papada) até um monstro final que, sinceramente, me deu pena. Beira o inacreditável que realmente foi aprovado o design de uma criatura com seis membros, uma cabeça que lembra muito um Xenomorfo (alô Alien) e um corpo desengonçado que mais parece uma geleia gigante. Dá vontade de rir com a sequência final do filme.
Uma grande família
Já que mercenários não são os personagens mais empáticos da história, os roteiristas acharam que inserir uma família na trama fosse uma ótima decisão. Afinal, o público vai ser conquistado por uma criança, um pai adorável e um casal de jovens irritantes, né? Pois então, não é o caso.
Totalmente ‘jogados’ no enredo, os quatro (que, sinceramente, não lembro os nomes) são, de longe, o pior que esta saga tenta nos entregar. Sem carisma e inseridos em situações constrangedores, eles diminuem o impacto dos dinossauros pois, ao escaparem de momentos perigosos da forma mais idiota e ‘mágica’ possível, passam o eterno sentimento de invencíveis. O que é, sem dúvidas, irritante.
Efeitos fracos
Sabe que é engraçado, com exceção de uma bela cena envolvendo híbridos de braquiossauros, todas as demais sequências deste filme deixam a desejar ao longa de, pasmem, 1993. Sim, mais de 30 anos depois e os efeitos especiais estão menos convincentes.
Claro que muito se deve a problemas de proporção e da utilização de híbridos. Como estas criaturas não fazem parte do nosso imaginário, elas parecem menos reais do que os dinos fabricados em animatrônicos dos anos 90. Uma pena que a magia de ver estes monstros já não é mais tão eficiente quanto antigamente.
Soluções mágicas
Por fim, uma marca registrada na saga Jurassic World, o roteiro fraco. Teve uma determinada situação que ao ser iniciada, rapidamente cravei o destino final. E, para a minha surpresa (estou sendo irônico), foi exatamente a escolha dos roteiristas. Como os dinos são implacáveis, aqui eles precisam ser reduzidos a riscos mais palpáveis e as soluções encontradas para isso se tornam meros detalhes em uma trama tão simplória.
Vale a pena?
Recomeço é melhor que Jurassic World Domínio. Não que isso signifique muito. Mas sim, é mais divertido e tem algumas sequências interessantes. Porém, com tantas fragilidades, fica nítido que a saga precisa descansar por uns bons anos, ainda que não vá, afinal, novamente ultrapassou os U$$ 800 milhões em bilheteria – mesmo concorrendo com Superman, Quarteto Fantástico e F1.
Os dinossauros merecem mais.

Sobre o Autor

- Jornalista. Repórter no Folha do Mate, podcaster no Na Tabela e HTE Sports. Pitacos sobre cinema e cultura pop no Entre Sinopses.
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