Crítica | IT: Bem-vindos a Derry

Em meio a tantas produções que revisitam universos consagrados de Hollywood, sempre tem os raros casos em que o novo conteúdo realmente apresenta novidades e aprofunda de forma eficiente o enredo. É o caso do recente IT: Bem-vindos a Derry, produção do HBO Max que se passa 27 anos antes do primeiro filme para contar, com mais detalhes, as origens de Pennywise.
O Entre Sinopses já assistiu aos oito episódios desta primeira temporada e traz os principais aspectos positivos e negativos da obra baseada no livro de Stephen King.
Qual o enredo?
Repetindo a base dos filmes, Bem-vindos a Derry acompanha um grupo de adolescentes que se une para enfrentar A Coisa. Contudo, desta vez a ambientação é nos anos 60, com os Estados Unidos imerso na Guerra Fria, no racismo e na busca por armas (seja terráqueas ou não).
Novamente, a produção tem o diretor argentino Andy Muschietti à frente do projeto e o competente e assustador Bill Skarsgård na pele do palhaço assassino.
Pontos positivos
Com uma trama que invoca diversas obras cinematográficas famosas dos anos 80, Bem-vindos a Derry acerta em um elemento essencial: o carisma dos personagens do núcleo jovem. Como mola propulsora para o desenrolar da trama, um grupo que não caísse nas graças do público tiraria boa parte do potencial da série. Aqui, apesar dos altos e baixos, os protagonistas são cativantes, cada um à sua peculiaridade e personagem.
Destaco Rich Santos, interpretado pelo jovem Arian S. Cartaya, que, ainda que tenha menos tempo de tela em comparação a seus colegas de elenco, é, de longe, o mais apaixonante entre os personagens. Inclusive, os últimos episódios (que são os melhores da série) reservam cenas de destaque e brilho para Rich.
Ao mesmo tempo, a obra aprofunda as origens da Coisa e apresenta quatro núcleos centrais: os jovens, o Exército, os indígenas e os oficiais negros. Dentro destes elementos, a produção consegue, de forma eficiente, apresentar a realidade vivida pelos Estados Unidos nos anos 60 e as diferentes formas de enfrentar o Pennywise.
Novamente, o Palhaço merece elogios. A maquiagem e figurino, somados à assustadora atuação de Skarsgård, trazem um vilão ainda mais crível e assustador. Violento e “sem preferidos”, as atitudes dele são imprevisíveis e cada movimento pode ser o último para todos os personagens da série. Além disso, os novos elementos apresentados da sua origem ajudam ao público a entender melhor como surgiu e as motivações da Coisa.
Por conta da forte relação criada com os personagens principais e essa imprevisibilidade de Pennywise e de outros coadjuvantes, diversos são os momentos emocionantes nesta primeira temporada. Resumindo: os roteiristas não tiveram medo de matar personagens relevantes e amados pelo público.
E a cereja no bolo são as referências e conexões com outros filmes e obras de Stephen King. Como sabemos, King, além de um prolífico escritor, também gosta de misturar os universos de seus livros e Bem-vindos a Derry aproveita muito bem isso. Além de conexões com os filmes de IT, também temos referências a O Iluminado, Carrie e até Nevoeiro. É um show de easter eggs para quem gosta de procurar esses detalhes.
Pontos negativos
Como quase todas as séries, os exageros atrapalham a melhor experiência em Derry, Cito dois em especial: a falta de inteligência do Exército americano e os efeitos especiais do Pennywise em determinados momentos.
No primeiro caso, faltou sutileza para a produção. A ideia de um Exército que busca qualquer arma para contra-atacar na guerra é muito boa, no entanto, a forma imprudente e, por vezes, burra como eles tratam a Coisa faz perder a credibilidade. Fica complicado acreditar que aqueles são os homens de maior patente da armada americana. E, além disso, a resolução desse núcleo é o ponto mais baixo do excelente episódio final.
E por falar em exageros e falta de sutileza, quando os produtores se empolgam e resolvem trazer outras facetas do Palhaço Assassino, a trama perde todo o caráter de terror e fica parecendo filme B de baixo orçamento. Ao invés de apostar em uma maquiagem e animatrônicos de qualidade, a decisão é pela computação gráfica, o que diminui o personagem a um bonecão sem expressão ou qualquer nível de ameaça. Vale também para outras criaturas que aparecem e deixam a desejar na questão visual.
Bem-vindos a Derry também falha em manter uma regularidade. São episódios fantásticos e cenas assustadoras ou emocionantes, seguidos de um momento que beira o inacreditável de ter sido aprovado. É uma montanha-russa com altos e baixos – com mais altos – que podem prejudicar a experiência do público.
Vale a pena?
Com a confirmação de mais duas temporadas e o sucesso deste primeiro ano, IT: Bem-vindos a Derry, com certeza, vale a pena e passa a rivalizar com as melhores produções do gênero em 2025. Que grande ano para o terror!

Sobre o Autor

- Jornalista. Repórter no Folha do Mate, podcaster no Na Tabela e HTE Sports. Pitacos sobre cinema e cultura pop no Entre Sinopses.
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