Crítica | Frankenstein (2025)

Crítica | Frankenstein (2025)

Ah, a dona Netflix e o senhor Guillermo Del Toro. Duas “personalidades” quase que extremas, mas que se uniram para produzir a mais recente releitura do clássico de Mary Shelley, Frankenstein. E o resultado é exatamente o que se esperava desta união, um primor técnico invejável, em mais um filme totalmente esquecível.

Boas atuações, uma produção de altíssima qualidade e um roteiro com ideias novas para uma história tão batida no imaginário do público. O Entre Sinopses assistiu ao mais recente Frankenstein, de Del Toro na Netflix, e te conta, em detalhes, se vale ou não a pena.

Qual a trama?

O clássico de terror de Mary Shelley ganha nova roupagem nas mãos do competente diretor Guillermo Del Toro (Labirinto do Fauno, A Forma Da Água e outros). Frankenstein acompanha o egocêntrico cientista Victor Frankenstein (Oscar Isaac) na busca por desenvolver experimentos e criar a vida a partir de uma criatura do zero.

Como já conhecemos, a trama segue com a criação de Victor. Um monstro indestrutível (interpretado por Jacob Elordi) que se volta contra o seu mestre. Em meio a isso, a Criatura passa a ter consciência e chega a se ‘apaixonar’ por Elizabeth (Mia Goth), enquanto busca vingança contra seu mestre.

Pontos positivos

A estratégia de Del Toro é trazer o intimismo e a paixão como centro da trama. Seja a paixão descontrolada de Victor com a experimentação científica, seja a paixão inocente de Elizabeth e a Criatura. Com uma relação de antagonismo – diga-se, não é novidade – que mostra que o real monstro sempre foi o médico louco, o diretor busca emocionar e convidar o público a imergir em um universo lúdico onde paixões impossíveis podem ser reais.

Para isso, o diretor conta com ótimas atuações do núcleo central da trama. A iniciar pelo irreconhecível Jacob Elordi, que deixa o papel do adolescente bonitão de A Barraca do Beijo e Euphoria, para uma versão minimalista e imersa em maquiagem da Criatura. No entanto, a válvula motora do longa ainda é o insano Victor Frankenstein de Oscar Isaac, com intensidade, loucura e um drama pouca vezes apresentado no cinema para o doutor. Mia Goth completa o trio, com ingenuidade e presença marcante quando tem tempo de tela.

O trabalho técnico, no entanto, é o grande chamariz do filme. A beleza estético, desde a criação de cenários, passando por cabelo e maquiagem, são espetaculares. Novamente, Del Toro se mostra um diretor com uma assinatura de produção clara, o que, inclusive, deve servir para garantir uma ou outra estatueta no Oscar 2026.

Pontos negativos

Inicialmente, falando apenas do filme em si, o final, apesar da busca por ser disruptivo, acaba caindo apenas no melodrama barato. Sem reais consequências e deixando o espectador com um gostinho de um desfecho abaixo da expectativa.

Agora, no âmbito mais geral, me incomoda o fato de um diretor tão talentoso como Guillermo Del Toro estar abraçando projetos tão inexpressivos. A repetição de fórmula como a de Frankenstein e Pinóquio, duas das últimas produções do mexicano, não condizem com a capacidade criativa que o mesmo já apresentou em tantos outros momentos da carreira – saudades da originalidade de O Labirinto do Fauno.

Vale a pena?

Bom, é um filme belo e que, em diferentes momentos, surpreende e impacta. No entanto, é mais uma vez Hollywood mostrando a sua falta de criatividade e revisitando uma história já conhecida. Sinceramente, estou cansado deste tipo de produção.

FRANKENSTEIN
frankenstein (2025)
pELAS MÃOS DE DEL TORO, NOVAMENTE SOMOS CONVIDADOS A VISITAR O CLÁSSICO DE MARY SHELLEY
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Sobre o Autor

Leonardo Pereira
Leonardo Pereira
Jornalista. Repórter no Folha do Mate, podcaster no Na Tabela e HTE Sports. Pitacos sobre cinema e cultura pop no Entre Sinopses.

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