Crítica | Five Nights At Freddy’s: O Pesadelo Sem Fim

Crítica | Five Nights At Freddy’s: O Pesadelo Sem Fim

Adaptações de games para o cinema não costumam ter muito sucesso em suas execuções e são diversos os fatores para isso. Mas, o principal deles talvez seja a falta de imersão, já que quando estamos jogando vivemos a história e não somos meros espectadores. Não vou ter essa base para analisar o filme de hoje, já que nunca tive a experiência de jogá-lo, então a análise será pura e simplesmente pelo que achei da obra cinematográfica.

Five Nights At Freddy’s: O Pesadelo Sem Fim (para que esse subtítulo na versão brasileira, minha gente?) é a primeira adaptação para os cinemas do famoso jogo FNAF, franquia que estreou em 2014 e desde então criou uma base de fãs gigantesca. O primeiro jogo fez tanto sucesso que levou a criação de toda uma mitologia e hoje já são mais de 10 sequências entre continuações, derivados e jogos extras.

Com o objetivo de trazer o público jovem dos games para o cinema, o filme de terror tem classificação indicativa de 14 anos. Mas será que vale a pena assistir? O que funciona e o que não deu certo? Vamos falar a respeito logo em seguida. Vem comigo!

Qual é a história do filme?

Five Nights At Freddy’s: O Pesadelo Sem Fim acompanha Mike (Josh Hutcherson), que para manter a guarda da irmã após a morte dos pais, aceita o trabalho segurança noturno em uma pizzaria abandonada, antiga sensação das famílias nos anos 1980. O local, que já foi sinônimo de alegria infantil, hoje está decadente, com brinquedos e animatrônicos empoeirados espalhados pelo salão. A princípio, o emprego parece simples: vigiar o espaço vazio durante a madrugada e garantir que nada saia do controle.

No entanto, conforme as noites passam, o ambiente mostra que guarda muito mais do que lembranças de um passado alegre. O protagonista, que já tem dificuldades para dormir e um sonho recorrente com o passado, começa a enfrentar situações ainda mais estranhas, sons inquietantes e a sensação constante de estar sendo observado.

Pontos altos

Uma das coisas mais brilhantes sobre o filme é o design de produção, que consegue muito bem reproduzir a atmosfera dos jogos. Os animatrônicos estão pereitos, muito bem representados em tela. Todo o ambiente da pizzaria Freddy Fazbear é tanto acolhedora, quanto assustadora. Esses quesitos técnicos o filme vai muito bem, inclusive os efeitos que combinam CGI e efeitos práticos.

O filme também acerta na criação da paranóia do protagonista. Por ele já ter problemas antes mesmo de lidar com as ameaças vilanescas do filme, nunca dá para saber se realmente há algo de errado ou se ele apenas está sofrendo as consequências dos traumas do passado.

Há muitas referências, easter eggs e detalhes que só os fãs mais atentos vão notar. Certamente um deleite para que realmente ama a obra original.

Pontos negativos

O primeiro problema está na classificação indicativa. Por ser um jogo com uma base de fãs muito jovem, não dava para ser um filme para maiores de 18 anos, pois isso tiraria justamente o principal público consumidor do filme. Então aqui temos mais um “terror de shopping center”, termo usado para descrever filmes de terror que não contam com cenas mais assustadoras ou pesadas. Acredito que isso prejudica um pouco a experiência, principalmente nas partes em que o susto e o medo deveriam permear as cenas.

Também não gosto da forma como os elementos sobrenaturais são colocados no filme. Não condeno o uso, mas faltam explicações ou então levar menos a sério algo tão importante para o que a história do filme.

As atuações estão longe de agradar. Tirando Josh Hutcherson, o restante do elenco não me agradou. Abby (Piper Rubio) tem um papel difícil em mãos e não consegue entregar uma atuação convincente. Elizabeth Lail traz uma misteriosa Vanessa, que entra e sai da história quando é conveniente para o roteiro. Já Matthew Lillard está mais caricato do que nunca e seu personagem é inacreditavelmente mal-aproveitado.

Todo o drama envolvendo a guarda de Abby entre Mike e a tia Jane (Mary Stuart Masterson) poderia ser muito mais interessante, mas é algo que fica escanteado por boa parte do filme.

Vale a pena assistir a Five Nights At Freddy’s: O Pesadelo Sem Fim?

No fim das contas, Five Nights At Freddy’s: O Pesadelo Sem Fim funciona mais como um presente aos fãs do que como um grande filme de terror. A ambientação é caprichada, os animatrônicos impressionam e a atmosfera remete bem ao universo do jogo.

Mas as escolhas de classificação, o roteiro inconsistente e as atuações pouco convincentes impedem que a obra vá além do básico. Ainda assim, é uma produção que diverte, cumpre seu papel comercial e abre caminho para continuações que, quem sabe, possam explorar melhor o potencial dessa franquia tão querida.

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Five Nights at Freddy's (2023)
Five Nights At Freddy’s: O Pesadelo Sem Fim
No fim das contas, Five Nights At Freddy’s: O Pesadelo Sem Fim funciona mais como um presente aos fãs do que como um grande filme de terror.
2.5

Direção: Emma Tammi
Ano: 2023
Elenco: Josh Hutcherson, Elizabeth Lail, Piper Rubio, Matthew Lillard, Mary Stuart Masterson, Kat Conner Sterling e mais.
Duração: 1h50min

Sobre o Autor

Heider Mota
Heider Mota
Baiano, 29 anos, jornalista. Gosto de dar meus pitacos sobre filmes e séries por aqui.