Crítica | F1 – O Filme

Um ambicioso projeto com investimento grande da Apple e estrelado por Brad Pitt. F1 – O Filme não é uma empreitada pequena, pelo contrário. Pegando carona na alta da Fórmula 1 nos últimos anos – muito por causa da chegada da Liberty Media como dona dos direitos da categoria, da série documental da Netflix F1 – Dirigir para Viver e da disputa entre Lewis Hamilton e Max Verstappen na temporada 2021 – o filme é mais uma peça no quebra-cabeça de expansão do esporte.
Mas será que funciona? Colocar uma estrela de Hollywood é o suficiente para chamar atenção? F1 – O Filme consegue superar os vícios e defeitos de filmes que adaptam esportes? Vamos falar sobre isso a seguir.
Qual é a história de F1 – O Filme?
Sonny Hayes (Brad Pitt) é um piloto veterano que correu na Fórmula 1 em 1993, mas, após um grave acidente, se distanciou do esporte e passou a viver de pequenas participações em outras categorias. Nesse meio-tempo, virou um viciado em apostas, chegando a perder toda a fortuna que tinha.
Em 2023, depois de vencer as 24 Horas de Daytona, ele é convidado por Ruben Cervantes (Javier Bardem), seu amigo e ex-companheiro de equipe, para assumir uma vaga na Apex GP. A equipe, da qual Ruben é um dos donos, está em situação desesperadora: após duas temporadas e meia sem pontuar na F1, há um risco real de a equipe ser vendida. Para evitar isso, é preciso primeiro pontuar e, quem sabe, até o que parece impossível: uma vitória.
Relutante, Hayes aceita e volta ao grid da Fórmula 1 depois de 30 anos, com a missão de ajudar a equipe a se reerguer e ser uma figura de referência para Joshua Pierce (Damson Idris), o outro piloto da Apex. Pierce é um jovem promissor, mas impulsivo.
Uma história sem inovações
A trama do veterano que retorna ao esporte e precisa lidar com um jovem talento, com todos os conflitos geracionais que essa relação provoca, não é novidade. Assim como a clássica narrativa do “underdog”, o azarão, que precisa de feitos quase miraculosos em um esporte de alto nível. No quesito história, F1 – O Filme não faz nada de novo e segue a batida de grande parte dos filmes desse estilo.
Destaco positivamente a construção do personagem de Brad Pitt, que é aquele veterano com pinta de “bad boy”, que não gosta de trabalhar em equipe e parece pensar só nele, mas que, no fundo, quer usar sua experiência para ajudar a evolução de todos ao seu redor. É uma espécie de professor que não sabe ensinar de forma didática, tentando provocar o aprendizado pela dor, digamos assim.
Também gosto de Joshua Pierce, mas gostaria de ter visto mais dos dramas do personagem. O filme o coloca como um jovem inconsequente, focado muito mais na parte midiática do que no esporte. E, claro, a chegada de Hayes – alguém que absolutamente não se importa com mídia – vai servir para, de alguma forma, mudar as percepções do jovem companheiro de equipe.
O que funciona muito bem
Dois aspectos técnicos são o ponto alto do filme. O primeiro são as cenas de corrida, que mesclam ótimos efeitos especiais com imagens capturadas em Grandes Prêmios reais da Fórmula 1 ao longo dos últimos dois anos. Quando temos os carros em cena, com a aparição dos pilotos reais, a torcida, a atmosfera… com certeza é um acerto gigantesco. Quem é fã de Fórmula 1 vai se deliciar ao ver pistas como Silverstone (Inglaterra) e Spa-Francorchamps (Bélgica) na tela.
Outro destaque é o som. Seja a trilha sonora original de Hans Zimmer, as músicas como We Will Rock You (Queen) ou o simples som dos motores dos carros de Fórmula 1. É de arrepiar. Não me surpreenderia se o filme aparecesse na temporada de premiações, assim como Top Gun: Maverick, também dirigido por Joseph Kosinski.
Também é muito fácil se identificar com a história de azarão da equipe Apex GP. Normalmente o público “compra fácil” esse tipo de narrativa, então não se espante ao se ver torcendo para que Hayes ou Pierce consigam seus objetivos corrida a corrida.
O que não ficou tão legal
Há um elemento romântico totalmente desnecessário colocado no filme. Se tirassem todas essas cenas, elas não fariam falta alguma. Além disso, existe um recurso dramático repetido duas vezes que, na minha opinião, acaba ficando exagerado. Havia outras formas de explorar o drama, e o filme optou pelas piores possíveis.
Tirando a dinâmica entre os personagens de Brad Pitt e Damson Idris, as outras atuações do filme não funcionam muito bem. A pior delas, para mim, é a do personagem interpretado por Tobias Menzies, que em determinado momento vira uma figura vilanesca totalmente caricata e que não precisava estar no filme.
Por fim, um detalhe que vai passar batido para a maioria, mas que um fã de Fórmula 1 vai notar: logo quando é anunciada a situação da Apex GP na classificação, são mostrados alguns números das outras equipes. Depois, em outra tabela exibida em tela, os números aparecem totalmente diferentes. Não vou entrar no mérito das inconsistências de direção de prova ou regras da Fórmula 1 real, porque entendo o universo do filme como um mundo ficcional que apenas se assemelha ao real.
Vale a pena assistir F1 – O Filme?
Fãs de Fórmula 1 vão AMAR as cenas de corrida. Quem gosta de cinema de ação e cenas de velocidade – como em Top Gun: Maverick, por exemplo – também vai curtir. É um blockbuster raiz, podemos dizer assim. O ponto forte é a ação, a diversão e a imersão. Roteiro e uma trama mais profunda ficam em segundo plano. O quanto isso importa para você é o que vai determinar se o filme vale a pena ou não.
Na minha visão, F1 – O Filme é um deleite visual, que representa em tela a velocidade dos carros de Fórmula 1 com muita precisão. Sem dúvidas, um dos filmes mais divertidos do ano e que vale a pena ser assistido na maior tela de cinema possível.

Direção: Joseph Kosinski
Ano: 2025
Elenco: Brad Pitt, Damson Idris, Kerry Condon, Javier Barden, Kim Bodnia, Tobias Menzis, Samson Kayo, Sarah Niles e mais.
Duração: 2h35min
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