Crítica | Extermínio 3: A Evolução

Eu admiro o diretor Danny Boyle, o autor Alex Garland e os demais responsáveis por Extermínio 3: A Evolução. Não que tenha me apaixonado pelo filme, longe disso, mas a criatividade e a tentativa de realizar algo diferente em uma Hollywood cada vez menos ousada, me fazem valorizar o trabalho realizado nesta sequência da produção dos anos 2000 protagonizada por Cillian Murphy (sim, o maldito Peaky Blinders e o Oppenheimer).
Contudo, 28 anos depois dos acontecimentos dos primeiros filmes, são introduzidos novos personagens e um ambiente totalmente novo. Isso tem seus pontos positivos e também seus problemas, vamos a eles.
Qual a trama de Extermínio 3?
Quase três décadas após a infestação de um vírus que transforma humanos em zumbis, a ilha da Grã-Bretanha foi colocada em quarentena e os sobreviventes deste local precisam se manter vivos sem qualquer possibilidade de buscarem abrigo em outro país ou ajuda externa. Na trama, acompanhamos uma civilização de uma ilha afastada que consegue se manter isolada e distante dos mortos-vivos.
Apesar da segurança da comunidade, o jovem Spike (Alfie Williams) precisa sair para sua primeira caçada no continente junto ao pai, Jamie (Aaron Taylor-Johnson). Lá, eles são confrontados com novos infectados, que passam a ter mutações e um senso de comunidade interno.
Pontos positivos
Os primeiros filmes desta saga ficaram datado em decorrência da câmera utilizada para a gravação – que os fazem parecer ser bem mais antigos do que são. No entanto, Boyle optou por manter o mais próximo possível desta estética ‘crua’ dos originais na nova produção. Com uma qualidade técnica bem mais avançada, ele opta pela instabilidade visual para trazer o sentimento de caos presente nos dois longas anteriores.
A câmera frenética, com a utilização de ângulos pouco usuais e os recorrentes cortes, por vezes somadas a uma câmera lenta, tornam a experiência de assistir a Extermínio 3 um choque de realidade. Ele é bem diferente de grande parte dos blockbusters da atualidade e sim precisa ser levado como ponto positivo. Ainda que vá incomodar alguns espectadores.
As decisões narrativas também são questionáveis. Inicialmente, a expectativa é de que o protagonismo seja de Aaron Taylor-Johnson, afinal, ele é a estrela deste elenco, mas rapidamente percebemos que o número um aqui é o jovem e pouco conhecido Alfie Williams. A trama gira toda ao redor das decisões do menino de apenas 12 anos.
Ao mesmo tempo em que conhecemos este universo, também somos apresentados a evolução dos infectados. O nome no Brasil, apesar de não ter relação alguma com o original (o literal 28 Years Later), é bem certeiro, por assim dizer, quanto ao enredo do longa. A sociedade dos mortos-vivos é um atrativo a mais neste filme, com direito aos Alfas, líderes desta manada, e até uma gestação surpresa – com um desfecho inesperado.
Pontos negativos
Uma faca de dois gumes. Assim como as decisões inesperadas são o grande forte de Extermínio 3, elas também são o principal problema da produção. A forma como é desenvolvida a evolução do personagem Spike de Williams é rápida demais e, por diversas vezes, é impossível ‘comprar’ as ações deste jovem de 12 anos que nunca havia saído da ilha há poucos dias.
Algumas escolhas narrativas também parecem esquisitas analisando o filme como uma produção única – sem voltar aos longas anteriores ou projetar os próximos. Assim como a última cena, que é cartunesca em excesso e parece totalmente deslocada do tom dramático e tenso que o filme tenta passar durante quase duas horas.
Além disso, Extermínio peca por nunca chegar no ápice. Quando parece que teremos a batalha final, ela não ocorre. Fica a sensação de que faltou um momento de maior êxtase e emoção. Ainda que, é preciso enfatizar a excelente cena envolvendo a morte de uma personagem importante na trama, um raro momento de emoção no gênero de zumbis.
Vale a pena ver Extermínio 3?
É uma experiência diferente do que estamos acostumados e apenas por isso já merece uma chance. Pode ser que você odeie o filme, não duvido disso. Por outro lado, é possível que você o ame. É bem diviso por tentar algo a mais. E, só por isso, já fez mais que a maioria de Hollywood em 2025.

Sobre o Autor

- Jornalista. Repórter no Folha do Mate, podcaster no Na Tabela e HTE Sports. Pitacos sobre cinema e cultura pop no Entre Sinopses.
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