Crítica | Eternidade

Crítica | Eternidade

Quem nunca pensou em como é a vida após a morte que atire a primeira pedra. Pensando exatamente nisso, a sempre criativa produtora A24 abraçou o projeto do diretor David Freyne com o filme Eternidade e ‘tirou a dúvida’ das pessoas com uma realidade pós-morte no mínimo curiosa. Inclusive, neste filme, o cenário não é tão diferente ao que nos acostumamos no mundo normal.

O objetivo é escolher uma eternidade. Um local no qual você passará todos os dias da sua ‘vida’ após a morte. No entanto, o cenário é de uma imensidão de possibilidades, com cada mundo tentando vender que é o melhor para você. No maior estilo pop-up e anúncio de redes sociais mesmo. Em meio a todas essas chances, a protagonista precisa decidir se quer passar a eternidade com o primeiro amor que morreu na guerra ou, então, com o segundo marido, com o qual passou 65 anos na vida térrea.

Qual a trama?

Joan, interpretada por Elizabeth Olsen, morre e, em uma espécie de limbo, precisa decidir com quem passar com quem e onde passar a eternidade, um tempo infinito no pós-vida. As opções são o primeiro amor e marido, Luke (Callum Turner) que morreu durante a Guerra da Coréia e o segundo marido, Larry (Miles Teller), com o qual ficou 65 anos de vida. O detalhe, Luke esperou mais de 60 anos para ter a eternidade com Joan, enquanto Larry morreu uma semana antes dela.

Neste limbo, ela recebe tratamento especial e pode experimentar os dois cenários: Larry e o mundo Praia ou Luke e o mundo Montanha – escolhas deles. Por fim, precisa decidir, com quem passará o infinito.

Pontos positivos

O filme tem o corpo de uma comédia com ótimo tom de humor. Muito em decorrência da excelente atuações dos protagonistas e do elenco de apoio, mas também pelo texto afiado. A produção consegue tocar em temas pesados como luto e dilemas sufocantes como a decisão para a eternidade, com essa leveza, mas sem perder o peso dramático da situação.

Esses dilemas, inclusive, são extremamente interessantes. E vão sendo ampliados no decorrer da trama, com novos desdobramentos que fazem o espectador repensar decisões que, antes, pareciam as mais corretas a serem tomadas pela protagonista.

O trio Elizabeth Olsen, Miles Teller e Callum Turner dá um show. Elizabeth Olsen mostra toda a desenvoltura na comédia e no drama para uma personagem que vive a ansiedade de projetar a vida que não viveu com o primeiro amor e ter o desfecho eterno ao lado do homem com o qual esteve por seis décadas. Teller e Turner incorporam dois apaixonados meio bobalhões, que lutam pelo amor da amada de forma inocente e que, claramente, estão dispostos a tudo por ela.

A premissa, somada a um universo para lá de criativo, tornam o filme uma experiência muito divertida. Dificilmente você não terá interesse em assistir ao descobrir do que se trata o longa.

Pontos negativos

Seja qual for o seu preferido, a trama vai se desenrolando de uma forma meio óbvia. As reviravoltas no final tem seus aspectos interessantes, mas também são facilmente ‘adivinhadas’ pelo público. Ainda assim, não atrapalha a experiência.

Por outro lado, algo que sim atrapalha um pouco é a falta de elementos da história prévia. Principalmente relacionado a Luke, mas também de maiores detalhes quanto a vida do casal Joan e Larry. Alguns tópicos é melhor deixa o espectador na dúvida, outros mereciam melhor abordagem.

Vale a pena?

Disponível no Prime Video, o filme é mais uma bela surpresa da A24. Divertido e com uma temática surpreendente, é daquelas produções que fazem você pensar enquanto dá boas risadas.

ETERNIDADE scaled
ETERNIDADE (2025)
Elizabeth Olsen precisa decidir com quem passar a eternidade em um filme hilário e cheio de bons debates
4

Sobre o Autor

Leonardo Pereira
Leonardo Pereira
Jornalista. Repórter no Folha do Mate, podcaster no Na Tabela e HTE Sports. Pitacos sobre cinema e cultura pop no Entre Sinopses.

Um comentário em “Crítica | Eternidade

Comentários estão encerrado.