Crítica | Encanto (2021)

Crítica | Encanto (2021)

Em meio ao segundo ano de incertezas da pandemia, Encanto chegava ao cinemas em novembro de 2021. Sua bilheteria não foi das melhores, mas ao entrar no catálogo do Disney+, a nova animação ganhou uma força descomunal. O filme ganhou o coração de espectadores de todas as idades ao redor do mundo e superou inúmeros recordes, se tornando o filme mais assistido da plataforma por muitas semanas seguidas, além da música “We Don’t Talk About Bruno” superar “Let It Go”, de Frozen, como a música de maior sucesso da Disney em popularidade. Mas será que ele merece todo esse sucesso?

Na trama, conhecemos Mirabel, uma jovem garota que faz parte de uma família onde cada membro possui um poder especial, chamado de dom. Quando a magia que protege o local onde ela e sua família vivem ameaça se extinguir, Mirabel embarca em uma aventura para salvá-la, encontrando muitos desafios no caminho e descobrindo segredos impactantes sobre sua própria família.

Um filme com “gostinho de casa”

Quando os primeiros rumores sobre Encanto se espalharam, disseram haver a possibilidade de a história se passar no Brasil. Com isso, muitas pessoas (eu, inclusive) se empolgaram muito para o filme. No entanto, quando foi revelado que a trama, na verdade, se passaria na Colômbia, muitos se frustraram (eu, inclusive). Ainda assim, por retratar as vivências de uma família latina, dá para se identificar muito com a história e os personagens. É muito provável que você tenha algum membro de sua família, ou até você mesmo, que compartilhe características de personalidade com algum dos Madrigal.

Em um nível pessoal, me identifico profundamente com Mirabel. Ela é uma garota alegre, amável e que sempre quer ver os membros de sua família felizes, mesmo que isso custe sua própria felicidade. Porém, o que ninguém enxerga é a sua frustração em não ter “nada de especial” comparada com a sua família. Na época em que assisti o filme pela primeira vez, eu estava passando por um momento de vida em que me sentia assim também, algo que acredito me ter feito me conectar ainda mais com o filme. Além disso, Mirabel é a primeira protagonista de um filme da Disney a usar óculos! Mais um ponto para o fator identificação aí.

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Representatividade orgânica

A família Madrigal é racialmente diversa, e isso é lindo! A maioria das famílias latinas são bem mistas, com pessoas de todas as cores, tipos de cabelo, alturas, e assim por diante. Encanto faz um ótimo trabalho ao mostrar que você não precisa se parecer com alguém da sua família para fazer parte. Isso foi aspecto que chamou a atenção de muita gente, especialmente das crianças, que puderam se enxergar nos personagens presentes em tela.

Uma curiosidade bacana é sobre os cabelos da família. Todos os tipos de cabelos, do 1A ao 4C, estão nos personagens que compõem o elenco principal. Mais uma vez, cores, tamanhos e curvaturas diferentes fazem parte da família. Você pode conferir um pouco mais sobre o assunto acessando o vídeo linkado abaixo:

“Como os cabelos animados da Disney se tornaram tão realistas, de ‘Enrolados’ a ‘Encanto’ | Movies Insider”

Vamos falar do Bruno

A trilha musical de Encanto foi uma das mais chiclete dos últimos anos. Mesmo sem querer, eu duvido que você não tenha cantarolado “Não falamos do Bruno, não, não, não…” pelo menos uma vez. Mas, para além dela, todas as outras músicas do filme são impecáveis. Compostas pelo queridíssimo Lin Manuel Miranda, as canções equilibram perfeitamente o balanço entre ajudar a contar uma parte da história e serem simplesmente boas músicas de se escutar. Encanto começa e termina com música, e isso também é parte essencial da narrativa, pois ajuda a amarrar toda a trama ainda mais. As versões brasileiras também são ótimas e super gostosas de ouvir.

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Mas a história é boa?

Encanto tem uma história bem simples e um desenvolvimento de roteiro bem linear. Mirabel sempre vai de um ponto a outro, tanto figurativo quanto físico, e tudo se desenvolve assim. A história mantém uma reta em nível de trama, mas também inclui algumas escaladas dramáticas muito interessantes. Lá no segundo ato do filme, o momento do clímax é bem impactante e consegue gerar bastante tensão. O plot twist principal acontece lá na metade do filme e dá uma virada ainda mais divertida na história.

As interações entre Mirabel e a família são quase sempre engraçadas, especialmente a cena em que a família se reúne em um jantar com o pretendente de Isabela, irmã mais velha da protagonista. A cena é recheada de caos e, sem dúvidas, arranca boas risadas de quem assiste. Minha única ressalva é que os personagens Dolores e Camilo, primos de Mirabel, não tem muito destaque na história. Reconheço que ficaria impraticável se dedicassem um momento exclusivo com cada personagem da família, acabaria tomando tempo demais, mas, ainda assim, gostaria de vê-los um pouco mais. Quem sabe no próximo filme?

Encanto é um bom filme?

Encanto é daquelas animações que falam direto ao coração do espectador. Seja nos personagens ou na própria história, é muito provável que você se enxergue em algum momento. Porém, ainda que isso não aconteça, o filme te prende por ser uma aventura divertida, emocionante e cheia de vida. Tenho certeza que você não vai se arrepender de assistir!

Encanto

Direção: Byron Howard e Jared Bush
Ano: 2021
Elenco: Stephanie Beatriz, Jessica Darrow, John Leguizamo, Diane Guerrero, Olga Merediz e mais (vozes originais).
Duração: 1h49min

encanto
ENCANTO
5

5/5

Sobre o Autor

Luane Mota
Luane Mota
Baiana, 23 anos, estudante de Cinema e Audiovisual. Apaixonada por animações e videogame. Amo falar e escrever sobre meus filmes, séries e livros favoritos.