Crítica | Dentro (2023)

Existem filmes que optam por uma escolha muito arriscada e que dependem quase que exclusivamente de seus protagonistas. Isso porque praticamente só temos eles em tela, e tudo precisa acontecer a partir das suas ações e reações.
Em Dentro (Inside), filme de 2023, temos Willem Dafoe interpretando Nemo, um ladrão de artes que invade um apartamento super tecnológico em uma cobertura em busca de algumas obras enquanto o dono está viajando. No entanto, quando uma falha acontece, os sistemas de segurança o mantém preso lá e ele precisa buscar uma forma de escapar antes que ou a polícia apareça, ou o dono retorne ou se esgotem os recursos que ele tem à disposição.
Mas será que o filme é apenas um suspense de invasão domiciliar? Quais outros temas são abordados? Vamos falar a respeito. Vem conferir o que achei de Dentro (Inside).
Um filme que vai além da história
Dentro começa como um filme aparentemente simples. Uma invasão domiciliar sob o ponto de vista do ladrão. Quantos filmes de assalto você já assistiu? Exemplos não faltam. No entanto, aos poucos ele se transforma e a visão sobre a história também. E isso, sem dúvidas, não é ao acaso.
Por isso digo que esse é um filme que vai além da história, ele é feito pensando na experiência de cada espectador. Um longa-metragem que na primeira camada trata sobre o roubo de obras de arte é na verdade toda uma construção sensorial justamente para falar sobre arte e como cada pessoa a recebe de formas diferentes. Não a toa esse filme é tão divisivo e cada pessoa tem uma interpretação diferente a seu respeito.
Vejo Dentro justamente nesse aspecto. É uma experiência sensorial, aquela mesma sensação que artistas desejam criar em quem observa suas obras em grandes exposições. Uma das minhas teorias, inclusive, é que todo o filme é alguém fazendo uma experiência de arte com o protagonista para que ele seja quase que como um quadro-vivo. Faz sentido? Pra mim, sim.
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Experiência sensorial… e o roteiro?
Porém, se o filme serve e pode ser entendido como essa experiência sensorial, a história e o roteiro ficam completamente deixados de lado. E isso em nada tem a ver com o fato de vermos Willem Dafoe em praticamente todas as cenas do longa, exceto quando aparecem as imagens das câmeras de segurança que a televisão da casa exibe. Dafoe faz um protagonista excelente, que segura o filme. Se fosse um ator menos qualificado, com certeza o filme agradaria ainda menos.
Mas… qual é a verdadeira história que Dentro nos conta? Não digo das nossas interpretações e visões sobre o filme, mas sobre o que ele realmente fala? Não consigo encontrar a resposta. Tudo o que me vem à mente são as teorias, interpretações e análises.
Isso significa que queria um filme expositivo? Não. Mas dava para trazer toda essa experiência sensorial, falar e refletir sobre arte e ainda assim entregar uma história com sentido. Na minha visão, o roteiro do filme peca justamente em não conseguir falar com o público. Ele quer que você sinta, não que você veja a história acontecer.
Se não gostei é por que não entendi?
Certamente pode chegar a turma do “se não gostou é porque não entendeu o filme”. E assim, Dentro é realmente um filme que não é fácil de ser entendido. Justamente pela falta de história, a sua experiência com o filme vai depender das sensações e interpretaçõe que ele lhe trouxer. Por isso, não necessariamente a pessoa vai gostar ou desgostar por ter entendido ou ficado confuso.
Digo com convicção que dá para gostar sem ter entendido, assim como dá para não gostar tendo compreendido. Mas a pergunta que fica é: o que há, de fato, para compreender? Se Nemo conseguiu mesmo escapar? Se ele estava sendo mantido preso lá? Se estávamos acompanhando suas alucinações ao longo do filme?
Vale a pena assistir Dentro?
Dentro não é um filme fácil, mas não por ser complexo, e sim por ser altamente dependente das interpretações e sensações do público sobre ele e não a respeito de sua história. Tem um bom protagonista, uma excelente atuação do praticamente único ator em tela e é bastante divisivo. Vale assistir para embarcar nessa viagem e tentar compartilhar o que a obra (de arte) te causou. Mas, como experiência cinematográfica, a minha não foi das mais positivas.

Direção: Vasilis Katsoupis
Ano: 2023
Elenco: Willem Dafoe, Gene Bervoets, Eliza Stuyck, Andrew Blumenthal
Duração: 1h45min
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