Crítica | Demolidor – O Homem Sem Medo (2003)

Crítica | Demolidor – O Homem Sem Medo (2003)

Ainda no início do que chamamos de “Era de Ouro” dos filmes de heróis nos cinemas, houve uma tentativa por parte da Fox de trazer às telas um dos heróis urbanos mais celebrados da Marvel nos quadrinhos, o Demolidor. Em meio a obras como X-Men, Blade e Homem-Aranha, que começavam a chamar atenção do grande público, Ben Affleck foi escalado para interpretar o advogado cego Matt Murdock, que durante o dia trabalha nos tribunais e à noite faz justiça com as próprias mãos como o anti-herói Demolidor, o Homem Sem Medo.

Então, em 14 de fevereiro de 2003, o filme chegou aos cinemas com um orçamento de 78 milhões de dólares (no Brasil, o lançamento foi um mês depois, em 14 de março). Com um elenco, que além de Affleck, também contava com Jennifer Garner, Michael Clarke Duncan, Colin Farrell, Jon Favreau, Joe Pantoliano e David Keith. O resultado, no entanto, não agradou. No agregador Rotten Tomatoes o filme tem somente 42% de aprovação do público e 35% da crítica. A nota no IMDB é 5,3/10 com mais de 240 mil avaliações.

Veja também: Aparições do Demolidor no MCU

Por que é um filme odiado?

Demolidor – O Homem Sem Medo se distanciou dos outros filmes de heróis que saíram na época em um quesito: visual. Ele não buscava tanto o realismo que X-Men trouxe para os uniformes dos heróis, optando por uma roupa muito mais próxima das HQs para o protagonista. Além disso, o visual da Nova York do filme era bem diferente do que apareceu em Homem-Aranha, lançado somente um ano antes. Aqui temos uma Hell’s Kitchen que quase se assemelha a um painel de quadrinhos pintado em tela.

Outros problemas do filme são as atuações caricatas dos vilões Mercenário e Rei do Crime, a fatídica cena da luta no parque entre Matt Murdock e Elektra, além da quantidade de personagens, vilões e histórias que o filme quer contar.

Talvez quem assistiu à época esperava mais do heroísmo visto em Homem-Aranha e X-Men ou da brutalidade de Blade, mas encontrou uma história de origem melancólica, um drama que se perde no tom com cenas não-intencionalmente cômicas e um visual voltado mais para o quadrinesco do que o realista.

Mas é tão ruim assim mesmo?

Dizer que esta versão do Demolidor é boa é um revisionismo barato, ainda mais depois de termos a ótima série originalmente lançada pela Netflix e estrelada por Charlie Cox. No entanto, vejo que muitas das críticas feitas na época são extremamente exageradas.

O grande problema foi agregar tantas histórias em um filme de 1 hora e 43 minutos de duração. Nesse tempo temos a origem de Matt criança, a história do pai dele, sua amizade com Foggy Nelson, sua atuação como advogado, ele conhecendo Elektra, a chegada do Mercenário, o arco de Bem Urich e ainda o Rei do Crime. É muita coisa para somente um filme, e tudo fica bastante apressado e sem profundidade.

A cena da luta no parque é terrível, não há defesa. Entra no meu top-5 piores cenas de filmes de heróis. No entanto, o filme tem um tom meio gótico que combina com a época, além de uma boa trilha sonora e um design de produção quadrinesco que me agrada.

Vale a pena assistir?

Mais de 20 anos depois, não há como assistir a Demolidor – O Homem Sem Medo sem dizer que é um filme que ficou datado. O filme tem problemas claros de montagem, direção e algumas atuações. O tom as vezes quer ser dramático demais, outras vezes acaba sendo cômico de forma desnecessária.

Mas também dá para extrair muito mais coisas positivas do que se falava sobre o longa-metragem. Há boas cenas de ação, Ben Affleck está bem no papel e se o filme fosse mais direto em uma história principal (se o foco estivesse somente no embate Demolidor contra Rei do Crime, por exemplo), o resultado final seria muito melhor.

Não vou fazser revisionismo e dizer hoje que o filme é bom, longe disso, mas também não é a pior obra já lançada pela Marvel nos cinemas.

Demolidor - O Homem Sem Medo
demolidor – o homem sem medo (2003)
Um filme lotado de histórias e personagens, com um visual quadrinesco e tom desequilibrado, mas que não é tão ruim quanto se falava
2.5

Sobre o Autor

Heider Mota
Heider Mota
Baiano, 29 anos, jornalista. Gosto de dar meus pitacos sobre filmes e séries por aqui.

Deixe um comentário