Crítica | Corra que a Polícia Vem Aí! (2025)

Vivemos uma escassez de filmes “puros” de comédia. Atualmente, inúmeras produções de ação, aventura, animação e até terror têm pitadas de humor. No entanto, filmes dedicados exclusivamente a serem comédias são raros. Eis que surge uma continuação de ‘Corra que a Polícia Vem Aí!” muitos anos após o última sequência da franquia.
Já sem o saudoso Leslie Nielsen, que protagonizava os originais, a franquia retorna com o surpreendente Liam Neeson no papel principal. Astro de ação, Neeson poucas vezes se aventurou na comédia e, exatamente por isso, foi uma escolha curiosa para o papel. Em um mundo onde é tão difícil fazer humor, o novo ‘Corra que a Polícia Vem Aí!’ consegue entregar uma boa comédia ‘pastelão’?
O enredo do filme
Corra que a Polícia Vem Aí! acompanha o filho do tenente Frank Drebin (Leslie Nielsen), protagonista da trilogia original. Seguindo os passos de falecido pai, Frank Drebin Jr. (Liam Neeson) entra para a corporação e tem a missão de comandar a divisão de elite da polícia de Los Angeles.
Ao lado de parceiro Ed Hocken Jr. (Paul Walter Hauser), Debrin Jr.é catapultado para uma trama de conspiração envolvendo um assalto a banco comandado pelo criminoso Sig Gustafson (Kevin Durand), um cadáver de um aparente suicídio e um bilionário sinistro dono de uma empresa de carros elétricos.
Basicamente, a trama do filme é um copia e cola de diversas produções de ação. Contudo, naquele formato de sátira, onde tudo fica o mais exagerado e idiota possível.
Nostalgia e piadas
O texto do novo Corra Que a Polícia Vem Ai! é uma ode ao cinema dos anos 80. Seja pelos filmes que busca parodiar, quanto pela forma de fazer humor. As piadas literais, tão marcantes nos originais, aqui se repetem com maestria e tiram aquele sorrisinho no canto de boca do público. Assim como o humor corporal, físico, extremamente idiota e, ao mesmo tempo, muito engraçado.
Preciso deixar claro que nem todas as piadas funcionam e poucos são os momentos de gargalhadas realmente. É um filme que te deixa, do primeiro ao último minuto, ‘faceiro’ e pronto para dar uma risada. Além disso, o elenco é bem eficiente, inclusive Neeson, que surpreende no humor. Pamela Anderson, como o par romântico de Drebin Jr também é um ponto alto a parte, com boas ‘tiradas’.
Boas homenagens e referências
Ainda que não fique limitado a referências e homenagens, este ainda é o grande chamariz da produção. Sendo assim, para quem não acompanha o gênero, em especial as produções dos anos 80 e 90, possivelmente vai ficar perdido na trama. Uma pena, mas é um filme direcionado para um público bem específico, para poder entender tudo que está sendo apresentado.
Ressuscita o gênero?
Não acho que seja o caso. Tanto pela bilheteria, pouco mais de US$ 100 milhões mundialmente, quanto pela recepção morna do público. É uma boa tentativa de uma comédia pura e até entrega algo interessante. Mas, pela falta de originalidade, não parece ser o suficiente para resgatar um gênero adormecido em Hollywood.

Sobre o Autor

- Jornalista. Repórter no Folha do Mate, podcaster no Na Tabela e HTE Sports. Pitacos sobre cinema e cultura pop no Entre Sinopses.
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