Crítica | Bring Her Back (Faça Ela Voltar)

Em um gênero cada vez mais saturado pela quantidade altíssima de produções semelhantes, como é o terror, quando uma nova produção consegue surpreender já merece os elogios. É o caso do mais recente lançamento da A24, Bring Her Back (Faça Ela Voltar, em português), um ação imersiva no luto, nas fragilidades emocionais e, ainda mais, nos limites para reencontrar aquele ente amado.
Os fãs do terror têm se acostumado a relacionar produções surpreendentes ao nome da A24. E, novamente, a produtora não deixou a desejar. Dirigido pelos irmãos Michael e Danny Philippou, Bring Her Back acompanha dois meio-irmãos que precisam de um novo lar após a repentina morte do pai, no entanto, são ‘adotados’ por uma mulherde meia-idade que, apesar do histórico como assistente social, sofre por conta da morte da filha, afogada na piscina de casa.
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Desde o primeiro instante, o filme mantém uma aura de “algo está errado”. Sabe aquela sensação ruim de que falta um pequeno detalhe para algo muito feio acontecer? Pois bem, esse é o sentimento que permeia toda o longa. A imersão que Bring Her Back consegue colocar o espectador, principalmente pela estranheza, é assustadoramente arrepiante. Como se, apesar de todas as esquisitices que estão ocorrendo, seja impossível desgrudar os olhos.
Tensão no ar
Os irmãos Philippou foram precisos na linha tênue entre manter segredos e revelar o cenário para impactar. Diversas cenas ficam próximas da confusão, mas que, na verdade, são a definição perfeita de instigante.
Claro, eles não poupam no gore e nas cenas gráficas. Inclusive, é necessário um elogio ao trabalho de maquiagem, com destaque para Ollie (atuação magistral do jovem Jonah Wren Phillips), que é o responsável pelos momentos mais agoniantes da produção.
As atuações de Sally Hawkins como a já inconfundível Laura, Billy Barratt como Andy e a novata Sora Wong no papel da irmã mais nova e cega Piper, dão o tom do filme. Os três personagens, que lutam diariamente com o luto e os flagelos do passado, são um prato cheio para a análise psicológica de como cada pessoa pode reagir a tragédias.
O culto em Bring Her Back
Ainda que o ponto alto do filme sejam as questões psicológicos e o luto, a produção tem como plano de fundo uma seita satânica. É difícil não dar spoilers e explicar esta parte, contudo, desde o primeiro frame em tela é nítido do que se trata: rituais.
Laura não está sã, assim como Ollie também não parece normal. O que pode ser um problema à primeira vista por dificultar o entendimento de como duas crianças foram adotadas por uma pessoa tão instável, algo que os diretores conduzem de forma perfeita para não deixar fios soltos.
No final, a catarse da loucura.
Bring Her Back é o melhor do ano?
Indico você a assistir Bring Her Back sem saber muito da história. É o melhor terror do ano e um dos grandes da década. Uma experiência imersiva, assustadora e imprevisível. Daqueles filmes que você vai terminar e ficar pensando por muitos dias, com cenas que dificilmente serão esquecidas.

Direção: Danny Philippou e Michael Philippou
Ano: 2025
Elenco: Billy Barratt, Sally Hawkins, Jonah Wren Phillips, Sora Wong e mais
Duração: 1h44min
Sobre o Autor

- Jornalista. Repórter no Folha do Mate, podcaster no Na Tabela e HTE Sports. Pitacos sobre cinema e cultura pop no Entre Sinopses.
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