Crítica | Bailarina

Assim como todas as grandes franquias de ação, John Wick não perdeu tempo e entregou, em 10 anos, quatro filmes. Contudo, a quarta produção, apesar de elogiada, já passou a demonstrar o cansaço e a repetição da fórmula desenvolvida pelo diretor Chad Stahelski. Eis que, menos de dois anos após John Wick: Baba Yaga, a saga ganha seu primeiro spin-off (filme derivado): Bailarina.
Com Ana de Armas como protagonista, Bailarina conquista por manter a essência dos longas originais e ter personalidade própria. Essa personalidade, inclusive, é a grande responsável por garantir frescor para a franquia. Mas, afinal, vale a pena assistir a nova produção do universo de John Wick?
Fôlego para a franquia
Sim, vale muito a pena. Bailarina apresenta a trama de Eve (Ana de Armas), uma assassina habilidosa, que foi treinada nas tradições da organização Ruska Roma. Em meio aos treinamentos e as missões de Ruska Roma, a protagonista busca vingança contra aqueles que assassinaram sua família. O filme se passa entre os eventos de John Wick 3 – Parabellum e John Wick 4 – Baba Yaga.
A primeira vista, é nítida uma diferença e uma semelhança no novo filme. Dirigido por Len Wiseman, a produção aposta na estética neon, com muitas cenas explosivas (literalmente!) e na utilização dos cenários como elementos-chave para a ação, em contrapartida, mantém as sequências bem coreografadas de luta que tanto marcam a franquia.
Wiseman não deixa a desejar a Stahelski e, mesmo emulando boa parte dos enquadramentos, consegue ditar o ritmo da ação com qualidade e produzir cenas de cair o queixo. É papo de brigas com lança-chamas na neve para cima. Claro que muitos vão questionar a fragilidade física da personagem de Ana de Armas, porém, assim como diversas cenas de Keanu Reeves na quadrilogia, é necessária uma suspensão de descrença para aceitar este universo – que é fantástico e questionável, na mesma medida.
Com uma nova protagonista, o roteiro também ganha fôlego. Ainda que a história seja simples e repetida em diversos longas do gênero, o carisma da atriz eleva a personagem e conquista o público. É fácil comprar a trajetória de Eve, desde a infância até os momentos finais, com um arco bem construído e redondinho.
A menor duração, de duas horas, garante melhor ritmo, principalmente quando comparada ao filme anterior, Baba Yaga, que beirava as três horas. Além disso, com mais momentos de pausa, em que a ação é paralisada para alguns diálogos interessantes, a repetição e o cansaço de Baba Yaga não se repetem.
Repetição da mesma fórmula?
É mais um filme de John Wick. Leia como preferir.
Para além, o vilão genérico e a falta de aprofundamento neste arco também deixam a desejar e é impossível ‘comprar’ a ameaça tão grande que eles deveriam impor. E, não podemos esquecer, o filme dá a entender que Eve é imparável e nada é comparável a ela, apenas John Wick. O que não parece uma decisão muito inteligente.
Tem John Wick em Bailarina?
E como tem. Keanu Reeves aparece com destaque, em especial no terceiro ato. Inicialmente tido como desafio para a protagonista, acaba por ser um dos responsável pelo avanço dela. E não, isso não é spoiler, pois a obviedade do roteiro nem deixa espaço para possíveis outros caminhos.

Direção: Len Wiseman
Ano: 2025
Elenco: Ana de Armas, Keanu Reeves, Ian McShane, Anjelica Huston, Gabriel Byrne, Juliet Doherty e mais.
Duração: 2h4min
Sobre o Autor

- Jornalista. Repórter no Folha do Mate, podcaster no Na Tabela e HTE Sports. Pitacos sobre cinema e cultura pop no Entre Sinopses.
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