Crítica | A Garota Artificial

Crítica | A Garota Artificial

É fato que cada vez mais é necessário falar sobre Inteligência Artificial. Esse recurso tecnológico está se tornando parte do cotidiano, seja nos atendimentos usando chatbots, no avanço do ChatGPT, Gemini e outros do gênero. Mas… até que ponto iremos chegar nesse avanço? É sobre essa reflexão que A Garota Artificial, filme escrito, dirigido e protagonizado por Franklin Ritch, busca trazer.

Na história do filme, uma equipe de agentes descobre um hacker que utiliza um programa revolucionário para conseguir atrair e prender predadores sexuais que aliciam crianças através de chats na internet. Após unirem forças, eles percebem que a Inteligência Artificial usada no programa se desenvolve de forma independente e mais rápido do que eles podem controlar. Com isso, surge uma dúvida: o projeto deve continuar ou parar antes que algo perigoso aconteça?

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Uma execução simples, mas poderosa

A estrutura do filme é muito simples, até mesmo para driblar o baixo orçamento de aproximadamente 100 mil dólares apenas. Temos basicamente três linhas do tempo e cada uma delas usa somente uma locação.

No início do filme temos o interrogatório do hacker Gareth (Franklin Ritch) e a sua consequente junção de forças com os agentes Deena (Sinda Nichols) e Amos (David Girard). Toda a conversa é interessantíssima, com o clima de tensão criado e os diálogos que inicialmente nos levam para um lado, apenas para depois mostrar que se tratam de outra coisa.

No segundo ato temos 15 anos avançando no tempo, agora com uma discussão mais filosófica sobre o consentimento do programa de IA em fazer aquilo que ele foi projetado para fazer, dado seu desenvolvimento e, cada vez mais, humanização.

Por fim, mais um tempo depois, vemos Cherry (Tatum Matthews) cada vez mais avançada conversando com um já idoso Gareth (Lance Henriksen) sobre tudo o que ele fez, suas motivações, inspirações, além de erros e acertos.

É um filme muito simples, barato, mas certeiro. Sua mensagem é poderosa, e ainda que possa ter alguns exageros (será mesmo?), o mais importante é que nos coloca para pensar sobre a nossa relação com os desenvolvimentos tecnológicos e a inteligência artificial. Lançado originalmente em 2022, dá para dizer que o longa-metragem já antecipou várias discussões que vieram à tona somente anos depois.

Destaco as excelentes atuações de Franklin Ritch como Gareth e Tatum Matthews como Cherry (inclusive, que baita desempenho para uma atriz mirim.

No que o filme não acerta tanto

A divisão em atos do filme não precisava ficar tão explícita com cards na tela. Ok, é um recurso bastante utilizado e acredito que a ideia foi “amenizar” o impacto das grandes passagens temporais, mas ainda acho que foi extremamente didático e daria para entender sem isso em tela.

Outra coisa que fica um pouco a desejar é que algumas das tramas paralelas são pouco desenvolvidas. Há uma citação sobre um acontecimento do passado de Deena, não sabemos muito sobre Amos e até mesmo as motivações de Gareth, ainda que voltem à tona no final, poderiam ter sido melhor distribuídas ao longo do filme. Não há nenhuma falha que comprometa a mensagem do filme, só ajustes que fariam ele ser ainda melhor.

Vale a pena assistir A Garota Artificial?

Trazendo uma reflexão poderosa sobre o que é ser artificialmente humano, ou humanamente artificial, o filme é um convite a repensar os rumos que a sociedade está tomando em relação ao desenvolvimento tecnológico e, quem sabe, um presságio do que virá pela frente.

Um trabalho bem feito que mostra que não é preciso grande orçamento quando se tem uma ideia maravilhosa para ser transformada em filme.

A Garota Artificial
A GAROTA ARTIFICIAL (2023)
Trazendo uma reflexão sobre o que é ser artificialmente humano ou humanamente artificial, o filme é um convite a repensar os rumos que estamos tomando no desenvolvimento tecnológico
3.5

Direção: Franklin Ritch
Elenco: Tatum Matthews, Franklin Ritch, Sinda Nichols, David Girard, Lance Henriksen e mais.
Duração: 1h33min.
Disponível em: Filmelier+

Sobre o Autor

Heider Mota
Heider Mota
Baiano, 29 anos, jornalista. Gosto de dar meus pitacos sobre filmes e séries por aqui.