As bilheterias de Superman e Quarteto Fantástico confirmam o declínio do gênero de super-heróis?

As últimas semanas têm sido um debate interminável com foco central nas bilheterias das duas principais produções de super-heróis de 2025: Superman (DC) e Quarteto Fantástico: Primeiros Passos (Marvel). Como os dois filmes devem encerrar suas trajetórias nas telonas entre US$ 500 milhões e US$ 650 milhões, os fãs do gênero que estão questionando quem fez maior sucesso, passam a comentar, também, sobre a nova realidade dos resultados financeiros destes longas.
Uma nova realidade
Já passou o tempo em que qualquer filme da Marvel ultrapassava os US$ 800 milhões e aqueles com grandes expectativas eram garantia de US$ 1 bilhão ou mais. Desde o final da saga do Infinito, apenas três filmes tiveram bons resultados para a Casa das Ideias, Homem-Aranha: Sem Volta para Casa e Deadpool & Wolverine, que ultrapassaram a marca do bilhão, com US$ 1,9 e US$ 1,3 bilhão, respectivamente, e Guardiões da Galáxia 3, com US$ 845 milhões.
Para além deles, o cenário é catastrófico. São quatro lançamentos que não alcançaram a marca de US$ 500 milhões nas telonas e mostraram a fragilidade do gênero atualmente: Homem-Formiga e A Vespa: Quantumania (476 milhões), Capitão América: Admirável Mundo Novo (415 milhões), Thunderbolts* (382 milhões) e As Marvels (206 milhões).
Com a quantidade de lançamentos e o cansaço de super-heróis acentuam a realidade. Agora, para ter sucesso nos cinemas é necessário grandes eventos ou participações especiais que geram enorme expectativa do público. O cinema é cíclico e, assim como os musicais, o faroeste e os slashers, o gênero de heróis ‘bateu no teto’ e a tendência é nítida: se tornar um produto mais nichado e voltado para os fãs.
Difícil levar público aos cinemas
No entanto, ainda que seja clara a decadência em números destas produções, o período pós-pandemia de Covid-19 tem sido complicado para o cinema. O público que se acostumou, ainda mais, a assistir filmes e séries em casa, pelas restrições do Covid e o avanço dos streamings, não retornou completamente para as telonas.
Por conta disso, raros são os grandes sucessos após os dois anos da doença. Fenômenos como o próprio Homem-Aranha 3, Barbenheimer (Barbie e Oppenheimer), Avatar 2, Top Gun: Maverick e Divertidamente 2 se tornaram exemplos que confirmam a regra. As exceções necessitam de enormes fatores para garantir o sucesso, seja a união nostálgica de heróis do passado, um curioso lançamento conjunto, a retomada de uma franquia de maior bilheteria mundial, a quebra de expectativa pela qualidade técnica ou o fator família.
Aliás, este último é o grande responsável por manter salas de cinema lotadas mundo a fora. Divertidamente 2, Lilo & Stich, Como Treinar o Seu Dragão e tantos outros comprovam que as crianças se tornaram o principal público consumidor do cinema. E, junto a eles, os pais e demais membros da família, o que infla os números.
DC segue com a ‘fama’ ruim
Pouco citei os resultados de Superman e Quarteto porque considero eles dentro do esperado. Nada além do que eram as projeções realistas para os dois longas. Ainda que, para muitos, o Superman pelo tamanho do herói – top 3 dos maiores de todos os tempos – merecia um resultado melhor, mas é necessário pontuar que a ‘fama’ recente da DC não é das melhores e até o Batman de 2022 sofreu com números abaixo do projeto.
Sendo assim, não digo que o gênero de super-heróis acabará ou que o público desistiu destas produções. Eles só se tornaram parte dessa engrenagem cada vez mais complicada para consumir conteúdos: é muita oferta para pouco tempo. E parece que estamos gastando o nosso tempo cada vez pior, então, o cinema também é um dos que sofre diretamente com este problema.
Sobre o Autor

- Jornalista. Repórter no Folha do Mate, podcaster no Na Tabela e HTE Sports. Pitacos sobre cinema e cultura pop no Entre Sinopses.
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