A Hora do Mal é o melhor terror de 2025?

A Hora do Mal é o melhor terror de 2025?

Tido por muitos como o melhor filme de terror de 2025, A Hora do Mal (Weapons, no original) já está disponível para aluguel digital e pode ser assistido no conforto de casa. Oportunidade perfeita para entender o que levou a produção dirigida por Zach Cregger (Noites Brutais) a conquistar tantos elogios e aplausos no seu lançamento.

Qual a história de A Hora do Mal?

A premissa de A Hora do Mal é que todas as crianças de uma mesma sala de aula desaparecem misteriosamente às 2 horas e 17 minutos da madrugada. Apenas um menino fica, o pequeno Alex (Cary Christopher). A partir disso, com a indignação da comunidade, que busca respostas, e a pressão sobre a professora Justine (Julia Garner), a produção se desenrola em um suspense dividido em capítulos e que apresenta o ponto de vista de cada personagem, um mês após os desaparecimentos.

Ah, é bom esclarecer, este texto contém spoilers. Então, caso ainda não tenha assistido ao filme, corre lá e depois vem conferir a nossa análise.

Bruxaria e o oculto

Cregger acerta muito bem na criação do mistério. Ao optar por contar a história sob diversos pontos de vista, o diretor expande a narrativa e aumenta a imersão do espectador quanto a trama. Os dois primeiros atos do longa são mais lentos e optam por sustos casuais, mantendo a tensão crescente a cada nova ação dos protagonistas.

É uma forma, também, de deixar o público curioso e criando teorias para a motivação do que acontece naquela pequena cidade. Desde ocultismo, desafios digitais, sequestro e, claro, bruxaria, passa pela cabeça de quem assiste A Hora do Mal na busca pela explicação plausível que o roteiro encontrará para o acontecimento.

Outro acerto do diretor é ambiguidade dos personagens. Ninguém é santo, todo mundo tem desvios de caráter e, por conta disso, passam a ser suspeitos do ocorrido. Enquanto aproveita estes momentos mais lentos, Cregger também desenvolve instantes precisos de sustos que, ainda que bem preparados, podem surpreender o público menos acostumado ao gênero.

Quando tudo se perde

Este tópico provavelmente será polêmico e muitos vão discordar. O filme me perdeu completamente no último ato. Após a inserção de Gladys (Amy Madigan), a excêntrica tia de Alex, que se torna o grande foco da trama, a produção muda completamente o tom.

Apostando inicialmente em um body horror, o texto passa a ser caricato, em especial pelo exagero da personagem e a atuação ainda mais ‘over’ de Amy Madigan. Entendo que possivelmente foi algo planejado pelo diretor, mas a forma como uma ‘bruxa toda maquiada’ entra como solução para o acontecimento, tira parte daquela curiosidade e clima que estavam sendo criados.

Nesta fase final, o filme passa a ter cenas que parecem uma paródia, uma sátira de terror e não conseguem mais manter o público fixo na trama.

Vale a pena ver A Hora do Mal?

Acredito que A Hora do Mal sofre de um problema chamado: expectativa. Ir para o filme sabendo de todo o hype e as críticas positivas que ele recebeu colocaram a régua lá no alto para mim, o que o fez ser decepcionante. É uma produção bem interessante, com ótimas ideias e que consegue, por boa parte da sua rodagem, ser realmente angustiante e muito atrativo.

Contudo, ele não é o melhor filme de terror do ano e fico até na dúvida se forma um top 5. Por exemplo, Bring Her Back (Faça ela Voltar) e Pecadores são dois exemplos de melhor qualidade no gênero para 2025.

Agora, uma decisão acertada para quem está curioso quanto ao filme é, sem dúvida, o assistir sem qualquer informação prévia. Pois, é a assim que a experiência e o desenrolar da trama podem realmente surpreender.

A HORA DO MAL
A HORA DO MAL (2025)
Todas as crianças de uma mesma sala de aula desaparecem misteriosamente no meio do noite. Apenas um não. O que será que aconteceu?
3.5

Sobre o Autor

Leonardo Pereira
Leonardo Pereira
Jornalista. Repórter no Folha do Mate, podcaster no Na Tabela e HTE Sports. Pitacos sobre cinema e cultura pop no Entre Sinopses.